Ouvi o áudio da reunião do Conselho Deliberativo do Atlético. A parte em que o presidente Mário Celso Petraglia intervém afirmando “que esse clube não me merece como presidente” foi deprimente: apresentava-se um homem debilitado emocionalmente, que já não podendo mais confiar em suas supostas razões, impede o contraditório. Não se conhece na história das ditaduras, nenhum ditador que tinha equilíbrio. O extremismo e a intolerância levam ao despreparo para argumentar, sem o agente querer ou sentir.

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Não obstante a sua proposta de criação da Funcap tenha sido aprovada, Petraglia saiu derrotado da reunião: de 300 conselheiros, apenas 140 compareceram. Dos 140, trinta não concordando com a subtração do direito de questionar, foram embora e não votaram. Dos que votaram 49 por terem consciência foram contra, e 60 foram a favor. Dos sessenta, é razoável supor que no mínimo 30 conselheiros não votaram com a vontade real.

No áudio, Petraglia não autorizava ninguém propor o seu nome ou de qualquer outro familiar para compor a FUNCAP. Seria menos ruim se fosse ele o escolhido. Petraglia não obstante os interesses inescondíveis, tem história e origem dentro do clube. A partir dessa sua posição, os “seus conselheiros” elegeram um cidadão de nome Márcio Lara, com falta de expressão histórica, cuja função nuclear é representar os pecados do seu comando. Tal cidadão é um dos vice-presidentes do clube e o empresário que está sendo remunerado no sistema de iluminação da Baixada. Há um conflito objetivo de interesses do senhor Lara.

Contraditórias, portanto, as posições de Petraglia: quer a FUNCAP para proteger o Atlético de “dirigentes irresponsáveis e desonestos”, mas permite que aventureiros, que caíram de paraquedas na Baixada, assumam o comando de tão valioso patrimônio. Como os gestos de Petraglia sempre têm um componente de cálculo, a escolha de Lara foi a dedo.

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Não acredito que Márcio Lara seja o padrão de atleticano para comandar uma instituição que nasceu para proteger o clube. Dito de outra forma: às vezes, esses fatos tornam possível presumir, que se adota a regra de só confiar no bandido que lidera a gangue mais próxima.

Quando escrevo já é noitinha, e na escola de música em frente de onde eu moro, um grupo de jovens, que todo o sábado ensaia rock, agora, canta Noite Feliz, a mais bela canção de Natal. Cantemos com eles: “Dorme em paz, ó Jesus / Dorme em paz, ó Jesus”.

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Aos leitores, Feliz Natal e um ano de 2014 em paz. A coluna volta a ser publicada no dia 15 de janeiro.