Com o tempo, passei a ver as coisas no futebol mais com a razão do que com os sentimentos. Confesso que me sinto melhor, porque como jornalista, ganho mais autoridade. Bem por isso, não me lembro a última vez que, analisando um jogo do Atlético, atribui a sua derrota à uma errante arbitragem.
É a razão em estado puro que me faz escrever: o Furacão não só deixou de ganhar esse jogo contra o Santos, como o perdeu (1×0) por influência direta de um árbitro que foi despachado de Natal para a Vila Belmiro como se fosse uma encomenda.
O potiguar não só não deixou de marcar um pênalti sobre Marcelo Cirino, como inventou aquele que deu a vitória para o Santos, quando o lateral Dodô se jogou contra o corpo de Rony. E vocês pensam que a arbitragem usou algum disfarce? É aí que se extrai a gravidade do fato: foi um ato escancaradamente sem escrúpulos, na cara de todo mundo.
Dirão que o Furacão foi um time morno. Foi um time errado, pois isolou Raphael Veiga pelos lados. Sem Pablo, com Cirino e Marcinho, foi um time sem lucidez. Esse Marcinho é irritante. Sem Lucho González, que contundido saiu no inicio do 2º tempo, perdeu a noção do espaço e do tempo da bola, descompensando-se.
Concordo. Mas o Santos não foi diferente. Sofrível como o Atlético, fez um jogo baixo e raso. Como jogava em casa, passou o jogo para o campo do casuísmo da arbitragem, lançando bolas sobre a área do Furacão. Insistiu tanto que parecia consciente de que teria um benefício. E foi o que aconteceu já no tempo de desconto. O pênalti na “mão grande”, foi convertido em gol por Sánchez.
Atribui-se a esses erros que decidiram o jogo da Vila o mesmo motivo de outros erros, em outros jogos: a incompetência da arbitragem brasileira. Se essa é a motivação central, adotemos o velho princípio dos sicilianos: é melhor submeter-se ao juiz corrupto do que ao incompetente. Aquele faz um jogo jogado, do qual se pode participar; o incompetente é imprevisível. E não há nada pior do que enfrentar o imprevisível.
Despedida
Hoje à noite, na Vila Capanema,Paraná x Vasco da Gama.
Como o presidente/interventor Leonardo Oliveira está anunciando a cessão de outros mandos de jogos, o compromisso pode ser o último na 1ª divisão. Depois de ter entregue tudo, a diretoria paranista vai entregar a alma do clube,virando as costas para a sua torcida.