Perder é do jogo. Às vezes por lógica, muitas vezes pelas circunstâncias. E quando o jogo é um Atletiba, perder é absolutamente normal. É porque o seu resultado não decorre apenas da igualdade que o torna imprevisível, mas da rivalidade que cria um estimulo ou uma fraqueza emocional.

Mas perder como o Atlético perdeu esse jogo no Couto, não é normal. Ele foi vítima da psicose que o treinador Mário Sérgio tem em querer criar situações táticas inusitadas para satisfazer o seus instintos e seu ego. Pensa que é um gênio, e que todos nós mortais somos ingênuos e que nada sabemos.

Sob o pretexto de surpreender, Mário Sérgio escalou três zagueiros e três volantes. Não satisfeito, improvisou o zagueiro Alessandro Lopes de ala, mandou Ilan jogar atrás da linha da bola, isolando Dagoberto na frente. Quando o jogo começou, os atleticanos pareciam personagens saídos de livros de pré-história, ou os mais modernos, da legião romana de gladiadores. É que ao invés de marcarem (em tese era a proposta), influenciados pelo treinador, passaram a confundir marcação com violência. Por isso, Vânderson foi expulso por agressão, Ramalho e Dagoberto, também, deveriam sê-lo.

O mais grave de tudo é que Mário Sérgio confunde esquema com função. Esquema é o conjunto de diversas funções que, identificadas e atreladas entre si, projetam-se para um mesmo ponto para alcançar objetivos. O que Mário faz é determinar uma única função, que é marcar, no caso, agressivamente. Trata-se de marcação individual, o que implica em isolá-las, picotando a continuidade de outras. Ao invés de se tomar bola para sair em velocidade, pratica-se a falta, devolvendo o jogo para o adversário. Ao excluir o menino Jádson para colocar mais um zagueiro, mostrou o seu descontrole para buscar a solução quando se trata de criação e jogadas ofensivas.

O Atlético não perdeu porque jogou com dez. Jogasse com doze ou jogasse com quinze, seria absolutamente igual, pois as intenções de Mário Sérgio ficaram bem transparentes desde o início do jogo quando afastou Fernandinho e Washington.

A vitória do Coritiba foi absolutamente justa. Mas os coxas não devem se enganar: a causa imediata não foi a correção do time de Lopes, mas sim os absurdos praticados por Mário Sérgio. A virtude do Coritiba foi se aproveitar dos erros contrários, que foram tantos, que a vitória por dois a um tornou-se curta para o tamanho da pressão no jogo da volta.

Mário Sérgio tem uma semana para puxar o freio dos seus impulsos de gênio. Ser consciente de que não é maior do que o Atlético. Voltando a ser um treinador comum, vai devolver o time inteiro para a grande final, com Washington, Fernando e Jádson. E assim o título deve ficar na Arena.

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