Conseguia ver, mas parecia não enxergar. O jogo do Athletico em Fortaleza já tinha começado, mas não me dava conta. É que ainda não tinha voltado do mundo encantado de Messi. Contra o Liverpool, em Barcelona, o argentino ofereceu o conceito definitivo de gênio: é o jogador que se resigna em ser comum, entregando-se ao padrão do time e à normalidade das coisas. De repente, faz o quase impossível. Era o nosso mundo nos tempos de Pelé. Só que Pelé fazia o impossível.
Agora vejo, enxergo e passo a esperar que, depois de quase um século, o Furacão ganhe longe de casa. Afinal, o jogo era no Castelão, em que a torcida não influi, e contra o sofrível Fortaleza. Mas não só continuou sem ganhar como deu continuidade à sua rotina: perdeu, 2×1.
E afirmo mais uma vez: sem o catalisador passional da Baixada, que ambienta o jogo no estado febril da sua torcida, o Athletico torna-se um time comum, às vezes medíocre. Dirão que Lucho González e Camacho não jogaram. Se esse é argumento, então a questão se transforma em um grande problema: com Lucho, infelizmente, já não é possível sempre contar.
E, quando se sente a ausência de um jogador sem qualidade como Camacho, é sinal que as coisas estão mal avaliadas.
Jogar o Furacão até procurou jogar. Com a posse de bola, jogou quase toda a partida no campo do Fortaleza. Sofreu o primeiro gol logo no início, em falha do imóvel Jonathan, mas logo empatou com a cabeçada de Léo Pereira no escanteio cobrado por Nikão.
O Athletico, com a bola e o campo, continuou dominando. Então, o jogo reclamou o mínimo de qualidade na criação e definição. Como criar com Wellington e Tomás Andrade, com aquelas suas perninhas curtas? Bruno Guimarães tinha que jogar por ele e pelos dois. É bom, mas não é três. E como definir com o isolamento de Marco Ruben?
O veloz Osvaldo entrou para jogar em cima de Jonathan – que, além de imóvel, estava cansado e amarelado. Bingo: Osvaldo, sem nenhuma dificuldade, na primeira bola, deixou Jonathan caído e lançou o veteraníssimo Welington Paulista que fez o gol da vitória.
A essa altura Marcelo Cirino já estava em campo.
Com Marcelo Cirino e Rony, que não conseguem correr e pensar ao mesmo tempo, o empate passou a ser improvável. Logo, depois, a derrota tornou-se certa.
A derrota em Fortaleza foi o menor dos problemas.
As qualidades de Renan Lodi, Bruno Guimarães, Tiago Heleno, Marco Ruben e Léo Pereira são descompensadas pela fraqueza dos outros. Inclusive do goleiro Santos, que só defende o defensável.
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