Derrota de Bacellar

Atribuir a Pierpaolo Pietruziello e a André Macias a crise política do Coritiba é diminuir e desvalorizar a grandeza do clube. Sem expressão histórica, o que eles fazem é se aproveitar da crise de autoridade que decorre da atuação passiva do presidente Rogério Bacellar.

Por não se impor como presidente, voluntariamente ou não, transigiu com os erros e as pressões que motivaram Ricardo Guerra, um jovem idealista que portava a esperança de renovação, ir embora. Agora, transigiu com os mesmos erros, os mesmos interesses e as mesmas pessoas, não reagindo à renúncia de Ernesto Pedroso, que nas condições limitadas do clube, procurava criar alternativas para o futebol. O argumento de que foi pressionado fica até constrangedor, pois, se trata de nome tradicional, de um cartorário e homem independente. Por esse estado teria obrigação de impor as suas ideias e as suas convicções.

Ao confessar em nota oficial que não suportou as pressões torna ainda mais grave o seu comportamento: ou foi por fraqueza pessoal, e aí não pode comandar um clube da grandeza do Coritiba, ou porque escondia o interesse de ver Pedroso fora do clube, e aí não seria confiável.

Se for possível considerar qualquer dessas hipóteses, cometeu um grande equívoco: sem Guerra e sem Pedroso como escudos, passa a ser o único responsável pelos fracassos de campo. É que Macias e Pietruziello são historicamente tão inexpressivos para a torcida, que não servem sequer para ser culpados.

A reposição de vices não irá alterar esse estado de coisas, porque os novos não terão a legitimidade do voto popular como Pedroso e Guerra tiveram. Serão escolhidos por exclusão, por acerto político e pelos interesses.   

É a hipótese escancarada da falta de autoridade. Não tem outra explicação para o esfacelamento em sete meses de uma diretoria eleita pela primeira vez pelos sócios.
Às vezes penso que o Coritiba está tão atrás do Atlético, que nem ditador consegue ter. Em alguns momentos, como escreveu Kennedy em “O Peso da Glória”, que mesmo em um regime democrático, o presidente é obrigado a exercer o poder com uma dose de arbitrio. Do contrário, vira anarquia.

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