O Atlético perdeu na Baixada para o Atlético Mineiro, por 1×0. Afundou-se, definitivamente, entre os últimos do Brasileiro. Para acabar com qualquer ilusão, criou uma verdade definitiva: o improvável é não cair para a Segunda Divisão.

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O resultado, o comportamento censurável sob qualquer aspecto do time, inclusive de vontade, e a consequência do fracasso, poderiam ser absorvidos como fatos naturais do futebol, se não fossem os fatos antecedentes ao jogo. Se fosse nos anos 1950, um jovem cronista esportivo, de um jornal de Barranquilla, chamado Gabriel Garcia Marques, diria que foi uma derrota anunciada.

Aos fatos.

O treinador Renato Gaúcho, baseando-se nos “seus números”, como se não integrassem os do Atlético, disse: “De 23 pontos, ganhei 13 com esse time”. O pronome “esse”, da forma como foi imprimida pelo treinador, significou desprezo, insignificância, inferioridade. A interpretação, mesmo que reduzida da frase de Renato, resultou na ideia de que só por ele o Atlético conseguiu ganhar pontos nos últimos jogos. Cícero, o maior pensador romano, ensina que quando o homem se coloca superior aos outros, torna-se soberbo, presunçoso e arrogante.

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Renato teria certa razão se deixasse que os outros fizessem a indicação do fato como verdade. Mas quando resolveu destacá-lo por conta própria, inclusive ofendendo o patrimônio do clube – o gramado -perdeu a razão.

Renato foi além. Adotando o princípio do “quanto pior melhor”, para responder aos críticos do improviso, resolveu praticar abuso de direito. Excluiu Marcinho no seu melhor momento do jogo, e esvaziou o time; e populista, para mostrar que a diretoria ignora as carências (no que não está errado), loteou-o de juniores, quando seu discurso antecedente dizia ser temerário.

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Se Renato se protege com os seus números, em um campeonato tendo que ser analisado em tempo real, é preciso atualizá-los. Dos últimos seis pontos disputados na Baixada, contra dois times que lutam contra o rebaixamento, o “seu Atlético”, ganhou apenas um.

Mas não culpo Renato Gaúcho, embora tenha sido responsável direto pelo fracasso. A causa imediata é a absoluta falta de comando, em que o treinador, por alguns pontos ganhos, torna o clube seu refém.