Depressão

Não ia ver um Atletiba havia oito anos. Não sei se voltarei tão cedo. O que vi ontem na Arena foi um contraste com a história do grande clássico. Foi tão ruim, por faltar qualidade aos dois times, que só há um conceito para resumi-lo: deprimente.

Escreveu Nelson Rodrigues, que não existe nada mais triste do que um 0 a 0. Mas às vezes, um jogo sem gols pode ser triste, mas pode ser perdoado. Já vi Atletibas de 0 a 0 que comoveram. Mas o de ontem foi absolutamente medíocre, porque nenhum time teve disposição técnica ou tática para alcançar a vitória.

Os coxas dirão que Rhodolfo salvou na risca do gol a bola chutada por Marcelinho Paraíba. No repique, os atleticanos lembram o pênalti sobre Paulo Baier, que o árbitro, por comodismo, viu, mas não quis marcar. E se fosse um Atletiba igual, mas com gols, ainda assim, pelo que jogaram os dois times, seria deprimente. Está explicado porque estão se batendo contra o rebaixamento.

O 1.º tempo foi como se não tivesse sido jogado.

O 2.º ameaçou ser um jogo de futebol. Mas aí, os treinadores René Simões e Waldemar Lemos concorreram para a situação deprimente que se ofereceu até o final. Em especial Lemos, que não se constrangeu com a nulidade de Rafael Moura no ataque, e a péssima condição física de Paulo Baier. O treinador atleticano me assustou pela passividade e pela falta de lucidez para ver o que estava errado.

Escolham o pior dos três: Pedro Ken, Rafael Moura ou Paulo Baier. Escolho Rafael Moura.

De primeira: Soube ontem, na Arena, que o Atlético está trazendo um atacante de nome Edgard. Trata-se daquele que surgiu no Joinville, não jogou no São Paulo, não jogou na França e não joga no Vasco. Aí, é pedir para chorar.

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