Quando um time adquire propensão para perder, como o Coritiba adquiriu, pode jogar bem e ir à exaustão física, como o Coritiba jogou e correu, no final acaba perdendo, como o Coritiba perdeu, agora para o Corinthians, em Itaquera, 2×1. E a derrota, por essas características do jogo, só não frustrou mais os coxas porque o Atlético, o rival histórico, lhe foi generoso, ganhando do Avai, seu concorrente ao rebaixamento, na Baixada: 2×1. Aliás, o Atlético mostrou que os inimigos também mandam flores.
Os jogadores do Furacão, sem nenhum objetivo no campeonato, já dão sinais de que contam os dias para entrar em férias. Com a emoção desativada pela falta de objetivo, todos os jogadores no CT do Caju ficam a espera de uma notícia de transação. Lembram os feirantes de Fernando Pessoa, no “Depois da Feira”: “Vão vagos pela estrada, cantando sem razão à última esperança dada, à última ilusão. Não significam nada. Mimos e bobos são”.
Com o Atlético descartado, com a sua torcida afastada propositadamente para não exercer mais nenhuma influência no seu destino, resta-nos um jornalismo de dúvida: o Coritiba será rebaixado ou não?
É possível que o bom jogo contra o Corinthians seja atribuído à saída do técnico Ney Franco. Se é essa a idéia que se motiva, aí sim os coxas irão ser rebaixados. O bom jogo no Itaquerão não foi em razão de um motivo isolado, como a saída de Franco, porque a genética de perdedor não se afasta em noventa minutos. O bom jogo foi em razão de que os jogadores foram desafiados pelo ambiente de conquista e de festa dos corintianos. Com a emoção no limite, não queriam sair machucados por um resultado largo. Disciplinados na boa armação de Pachequinho, jogaram para preservar o orgulho próprio.
O que será do Coritiba?
Puskas
Se Puskas fosse vivo exigiria que a FIFA renovasse o direito de escolha do gol mais bonito, que será indicado em janeiro. Faria mais: assumiria o direito exclusivo da escolha e indicaria o segundo gol de Neymar pelo Barcelona, ontem, contra o Villarreal. Um gol que de tão belo acaba com adjetivos, torna-se um gol incomparável. O domínio da bola, o chapéu no adversário, seguido do chute de primeira, lembra um Pelé no estado bruto contra a Suécia em 1958.
