Depois da chuva

O Atlético voltou a perder. Com seus fanáticos, agora para o Internacional, na Baixada: 1×0. Se simplesmente perdesse haveria o consolo de que perdeu para um time que tem Dida, que aos 40 anos é o melhor goleiro do Brasil, D’Alessandro, Juan, Alex e jovens loiros e negros de talento e força, todos comandados por Abel Braga.   

Mas ocorre que o Furacão não perdeu simplesmente. Perdeu jogando mais, não necessariamente bem, do que os gaúchos antes, durante e depois da chuva. Quando um time joga mais e perde, é porque é fraco: não tem peças e não tem montagem. É um bando perdido em campo sem criador, com mais um técnico, que sem bons jogadores perde a personalidade e se obriga a se submeter às táticas mercantis do seu presidente Petraglia, que é a imposição de jovens de uma geração sem talento. Depois da chuva, quando precisou fazer uma jogada para decidir, o Inter teve Alex para fazer a inversão do jogo, o jovem Valdivia para cruzar e Rafael Moura para marcar. Tudo com a maior simplicidade.   

Claudinei Oliveira me decepciona. A impressão é que ele, às vezes, esquece que está no Atlético e que continua no Paraná, onde não se tendo nada a perder é possível correr riscos gratuitos: um jogo escala três volantes, num outro escala três zagueiros e dois volantes, e num terceiro dois meias.  Só a torcida, ainda deslumbrada pela Baixada, ainda não entendeu que a política de comando é indiferente ao resultado de campo, preferindo buscar o lucro com o mínimo de gasto, coisa impossível para se ganhar no campo.

Não foi por acaso que o Furacão tomou uma rota suicida. Mudou cinco vezes de técnico, não contratou reforços e mandou embora Antonio Lopes, o único que era capaz no seu futebol. Futebol não se especula: ou se sabe ou não se sabe. Por tudo isso, o Atlético vai às cegas jogar a reta final do campeonato. Pode bater e se quebrar todo. 

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