Se ainda é cedo para chegar à euforia, já é tempo para a torcida atleticana ter a certeza de que o Atlético deixou de ser a hedionda brincadeira que era com Vadão.

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A vitória por dois a zero, sobre o Palmeiras no Parque Antarctica, embora importante, não foi o mais importante.

O fato fundamental da excepcional partida que o Atlético fez foi o de voltar a ser um time de futebol, em que as funções são vinculadas, através do agrupamento de todos os setores.

Não é qualquer vitória que dá lições. Existem vitórias que são surpreendentes, pois a sua hipótese, pelos antecedentes, é remota. Essa no Parque Antarctica deu uma boa lição a quem se omitiu em concluir pela passividade e incompetência de Vadão. Antônio Lopes fez em uma semana o que seu antecessor não conseguiu durante um ano, e não conseguiria nunca: fazer o Atlético jogar futebol.

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A análise do jogo em si se torna acessória, pouco relevante diante da verdade imediata criada em um piscar de olhos por Antônio Lopes. Foi preciso que um treinador, compromissado só com seu passado e sua consciência, fizesse uma peneirada para ver o que ninguém no Atlético conseguia ver: os jovens Gustavo na zaga e Valencia à frente da zaga, que só eram usados para completar o time de treinos, deram um perfil maduro que há anos não se vê na defesa. A ?descoberta? dos dois, na peneirada que Lopes fez, mostrou definitivamente em que mãos o futebol do Atlético estava entregue.

O time ao invés de cercar, marcou; ao invés de alienar os contra-ataques a lançamentos longos, agrupou todos os setores, o que diminuiu o número de passes errados, e fez com que a bola sempre chegasse ao natural para Alex Mineiro e Denis Marques. Foi assim, tocando, que os dois gols saíram com Edno e Alex Mineiro. Os melhores foram Alex e Nei, que é lateral-direito e aí deve ficar.

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A vitória foi de Lopes.

A lição foi para o comando atleticano, que há quinze anos não consegue aprender os princípios básicos de futebol.

O dia é de festa. O Atlético descobriu que futebol existe, e ele pode jogar.

Pressão

O Paraná pode não ter jogado como grande, mas agiu como grande. Com faixas e discursos programados de arquibancada fez da pressão uma coação à arbitragem. Ganhava porque era superior, mas acabou ganhando (1×0) porque o pênalti de Márcio Careca em Evanilson, que permitiria o empate ao time de Geninho, não foi marcado.

O Paraná, como qualquer outro, tem o direito ao protesto e de buscar vantagens em razão de uma perda. O problema é de quem se submete à coação.