Não faço nenhum mistério sobre meus defeitos. E já conto, que entre eles está o de querer antecipar as coisas. Dito isso, confesso que ando entusiasmado com esse menino Hernani, do Atlético. Corpo espigado que lhe alarga e impulsiona os passos, cabeça erguida que lhe dá uma postura de nobreza e superioridade, e o que é principal, a inteligência para descobrir, abrir e ocupar espaços para o jogo. Com bola, dando o passe é provocante. Encanta. Lembra Sérgio Lopes, um meia gaúcho, que jogou no histórico Atlético de 1972. Sérgio era como João Saldanha dizia de Didi: passava um ano sem errar um passe. Por isso, o chamavam de “Fita Métrica”. Peço licença ao leitor para sentir saudades. No microfone eu anunciava: Vá tomando nota. Atlético sai do papel e vai para campo com Picasso, Cláudio Deodato, Di, Alfredo Gottardi e Júlio, Sérgio Lopes, Valtinho e Sicupira, Buião, Ademir Rodrigues (Tião Kelé) e Nilson Borges.

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Vendo o jogo do Atlético contra o Jotinha (3×1), lembrei que em 2011 Carpegiani já havia me falado sobre um “menino alto, esguio e talentoso para jogar no meio”. Uma preciosidade, disse o amigo. Era Hernani, que veio se tornar mais um desses mistérios do Atlético, que só Deus consegue descobrir. Em qualquer outro grande time estaria jogando como titular.

Atlético e Hernani foram as melhores coisas da rodada de carnaval do Estadual. Finalmente, o Furacão jogou uma partida que prestasse no Janguito. Como o Coritiba já tinha ganhado do Operário (2×1) e garantido a sua classificação, o campeonato pode ter salvo as suas aparências para a fase do mata-mata. Por ter o defeito de querer antecipar as coisas, posso cometer um erro: desconfio que vai ter Atletiba decidindo o Estadual. Se errar será um erro nobre.

Carnaval

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Nessa época lembro de um carnaval que passei no Rio de Janeiro. Coincidiu com o trabalho na renovação dos contratos de Assis e Washington, com o Fluminense. Os dois sabiam todos os sambas enredo. Canta aí Casal 20, aquele que gosto “De bar em bar, Didi um poeta”: “Hoje eu vou tomar um porre// não me socorre que eu tô feliz//Nessa eu vou de bar em bar beber a vida que eu sempre quis //E no bar da ilusão eu chego//é pura paixão que eu bebo//Amor me deseja, me dá um chamego, me beija e faz um cafuné”.