Pelas mais diversas teorias querem explicar o declínio do Atlético no Brasileiro. Não há teoria que explica, pois não existe o fato em si. Quero dizer o seguinte: o Furacão voltou a ser o time comum que era. O que era abstrato, não tinha como se sustentar. Não havia lógica no fato de que um time, que recém tinha ficado a salvo da segunda divisão estadual, que mudou quatro vezes de técnico, que trocou a pré-temporada por turismo na Espanha, tenha se transformado em líder de um campeonato dificil como é o Brasileiro.
E seu despreparo para sustentar a liderança não se limita aos aspectos tático e individual. Emocional também. Por surpreenderem a si próprios com a liderança, Milton Mendes e os jogadores perderam a consciência dos seus limites. As vitórias expressivas contra Inter e Galo na Baixada tiveram como causa não um futebol belo, mas um futebol certo com base na humildade. Contra o Coritiba e contra a Ponte, o Furacão quis jogar mais do que sabe, abrindo-se sem ter estrutura de jogo para jogar de peito aberto. Aliás, nenhum time no Brasil tem essa condição. O colombiano que dirige o São Paulo quis jogar em cima do Palmeiras, tomou quatro.
Confesso que não tenho muita paciência com Douglas Coutinho. Acho-o meio esquisito. Mas não tenho nenhuma paciência com esse tal de Ytalo. Jogador que não soma em nenhum aspecto. A saída de Douglas, em Campinas, tirou a única virtude objetiva do time, que é a velocidade, isolando, também, e de uma vez, o já solitário Walter.
O Atlético que trate de voltar a ser humilde.
Se voltar a ser assim, mantém a escrita contra o São Paulo de não perder na Baixada.
Bola e cabeça
Lembram-se de Vinicius, aquele meia revelado pelo Paraná, e que passou com o Coritiba, de onde saiu com todos os direitos? É o grande jogador do Fluminense. Bola já tinha. Agora tem cabeça. Ao contrário, Marcelo Cirino, no Flamengo não tinha tanta bola, mas tinha boa cabeça. Agora, pelo que eu li em Renato Mauricio Prado, no Globo, teria perdido a cabeça.