Parece ser contradição, mas não é. Há fatos, que embora previsíveis e necessários não deixam de ser surpreendentes, mesmo que tardios. Tratando-se de Atlético, em especial, onde tudo é diferente: a natureza das coisas, a interpretação de conceitos, o certo e o errado. Ontem demitiu Geninho. Hoje tornará oficial a contratação de Adilson Batista.
O comando de futebol atleticano só tomou a decisão certa, depois de já ter tentado todas as outras.
Desde o dia em que chegou, Geninho só recebeu da minha parte um tratamento absolutamente sincero: de indolente a portador de conceitos superados, de populista a decadente. Incapaz de terminar um contrato há cinco anos – sempre demitido por maus resultados -escrevi que nem deveria ter vindo. Nunca usei o oportunismo do resultado.
Da mesma forma, alerto o torcedor atleticano: não se engane. Os problemas do futebol do Atlético não se esgotam com a saída de Geninho, e tampouco com a contratação de Adilson Batista. O erro da contratação de Geninho não foi menor do que o da permanência de Sérgio Soares. Nem menos grave do que os erros que trouxeram Sílvio, Pimentel, Alê, Flávio, Robston, o goleiro Edson, Wescley, Henan – responsáveis pelo prodígio de gastar 12 milhões de reais em nove meses.
Há, portanto, uma lógica. É impossível qualquer mudança mantendo-se as pessoas que foram responsáveis pelos erros. E não se tratam de erros eventuais, que são absorvidos pelo direito do homem de errar. Mas erros sistemáticos, que criaram uma espiral que não será fácil desmanchar. Se não houver mudança de comando, a lógica é que esses erros continuem sendo praticados.
A contratação de Adilson Batista será inútil se não for devolvida a seriedade ao CT do Caju. Lá impera a baderna por consequência natural do desprezo a hierarquia.
O presidente Marcos Malucelli se licenciou. Quem assumir, qualquer um dos vices, terá que comandar imediatamente as reformas que o Atlético exige em seu futebol.