Um dia desses, ancorado por Leonardo Mendes Júnior, no site da Gazeta do Povo, o histórico Carneiro Neto lembrou que se o Atlético passasse o Grêmio seria a terceiro ano em seguido que o Paraná iria decidir a Copa do Brasil. Em 2011 e 2012, foi o Coritiba. O fato merecia uma análise mais profunda, destacou. Simples coadjuvante num reservatório de estrelas, apenas ouvi.
Entro, agora, na discussão. Um fato que se repete durante três anos deixa de ter o caráter eventual. O que deixa de ser eventual, mesmo não se repetindo sempre, ganha a natureza de previsível.
Essa nova ordem não é gratuita. Para isso, é preciso dissociar o que é clube e o que é time. Um bom time é eventual, em especial na atual ordem do futebol brasileiro, em que a circulação de jogadores não permite se manter uma base durante um tempo razoável. Enquanto isso, o conceito de grande clube não pode mais ser encerrado em razão do passado. Deixou de ser centrado no histórico e na tradição. O grande clube, agora, reclama uma estrutura administrativa que possa suportar e absorver os naturais fracassos no campo. Exemplo clássico desse estado é o Fluminense. Consagrado como campeão brasileiro em 2012, está na marca para ser rebaixado em 2013. Sem o dinheiro do mecenas (Unimed) escancara toda a sua deficiência administrativa.
Atlético e Coritiba há tempos têm sido referência de administração no futebol brasileiro. Não há outra explicação. Em razão desse gerenciamento, é que se torna objetiva a capacidade dos dois de enfrentar e compensar as monumentais diferenças de tratamento financeiro, que o mercado publicitário e, em especial, o mercado de mídia lhes oferecem.
As variações de campo, às vezes mal humoradas, e que levam ao risco de rebaixamento ou ao próprio rebaixamento, são da natureza do futebol. Exemplo concreto surge agora: Atlético e Flamengo vão decidir a Copa do Brasil. Enquanto o Furacão recebe da televisão 35 milhões de reais por ano, o Flamengo quase bate nos 200 milhões de reais.
Fora dessa motivação, não vejo como explicar a razão do futebol de Curitiba estar na final da Copa do Brasil pela terceira vez consecutiva. Ganhar ou não ganhar o título é questão de jogo. Uma hora vai ganhar.