De olhos bem abertos

Arena da Baixada, jamais. Estádio Joaquim Américo, nem pensar. Romantismo e tradição serão enterrados. Como se tratam de valores extraordinários, não serão cobertos por terra, mas por milhões de dólares, trazidos do outro lado do mundo.

O Atlético, objeto da curiosidade e do desejo dos empresários estrangeiros, está realizando o velho sonho do seu senhor: ceder os direitos sobre o uso da Arena. O parceiro vem Ásia, tem olhos fechados e muito dinheiro.

A Kyocera é a maior empresa japonesa de produtos eletrônicos daquele lado do mundo. Querendo entrar no Brasil, foi convencida de que o Atlético é o trânsito ideal para os seus objetivos, na medida em que é o novo clube de ponta no futebol brasileiro, de uma cidade de população culta, cujos conceitos servem para testar produtos, aprovando-os ou rejeitandos-os.

O pré-contrato não é muito diferente daquele com os portugueses. A diferença é que neste entrava uma terceira pessoa para buscar um parceiro. Agora o parceiro já vem definido com nome, obrigações e direitos.

A Kyocera durante 15 anos dará o nome da Arena. Com seus recursos finalizará o estádio pagando o custo da construção, e depois, o ônus da administração. O custo final da finalização da Arena está orçado em 10 milhões de dólares, e da administração em 360 mil reais por mês. Cumpridas estas obrigações, será a titular de todos os direitos que decorreram do uso da Arena e da camisa atleticana. Presume-se que a Kyocera não irá querer deformar a sagrada camisa como o tipo que a estrangulou nos últimos tempos.

Além das obrigações de finalizar o estádio e custear a sua administração, os japoneses irão pagar um valor mensal ao Atlético proporcional a renda que tiverem com o uso do estádio, garantindo-se um valor mínimo pelo prazo. Dizem de 1,5 milhões de dólares por ano.

Embora os direitos e obrigações da Kyocera estejam limitados ao espaço físico da Arena, irão repercutir diretamente no futebol. Como a remuneração mensal está atrelada à renda, e como a sua proporção está associada às conquistas de campo, o Atlético terá que mudar critérios de formação do time: manter pelo máximo de tempo os seus ídolos e ser mais racional para contratar jogadores. Em resumo, para ter grande benefícios financeiros e cumprir as suas obrigações, o clube terá que ter time poderoso, porque os fracassos técnicos significarão inadimplência ao contrato.

Os dias de Baloy, Lima, Fabrício, Marín, Jorge Henrique e outros que vêm e vão, estão contados.

Empatar com o Império do Futebol na Arena não tem explicação. É a vergonha que só o silêncio explica.

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