O Furacão foi para a solução pênaltis com o jogo já decidido. É o que ocorre quando no jogo de volta, o adversário da casa pressiona, corre mais, e até joga mais, mas não consegue a vitória querida e exigida. A verdade desse fato foi no momento da decisão: os jogadores tricolores se ajoelharam como se ficar de joelhos fosse sinal de fé. No futebol como na vida, ficar de joelhos, às vezes, é prova de submissão.
O jogo da Vila não foi nada mais do que se esperava. Pouco jogado, foi corrido e batido. Porque precisava ganhar, o Paraná correu mais e para marcar jogou a bola em cima de Paulo André: sem recursos físicos, que lhe tiram os reflexos para ter tempo de bola e noção de espaço, o zagueiro foi batido por Nadson, que fez 1×0.
O Furacão, que havia perdido o rumo pela exclusão do bom Vinicius por lesão, ficou entregue ao seu treinador Paulo Autuori. E é aí que um jogo vira um drama. Trocar Jadson por Hernani, mantendo o inacabado Marcos Guilherme é abuso de comando. E assim, já sem Otávio expulso, o Atlético foi se arrastando clamando pela decisão nos pênaltis. A essa altura, o Paraná já estava entregue à falta de um time sem personalidade para ganhar o jogo.
Nos penaltis, ganhou quem jogou menos, mas não ficou de joelhos, o Furacão.
Jean foi o melhor do jogo.
Paulo André um desastre, outra vez.
Agora, a final em dois Atletibas.
Os coxas são favoritos. Disparadamente favoritos. Talvez seja melhor para o Furacão. Não para transferir obrigação de vitória, psicologia farsa. Mas para fazer uma autocritica de suas deficiências: manter Paulo André na zaga, Marcos Guilherme no meio de ataque, ter a exclusão de Jadson como solução tática e o esquema previsível que isola Walter são fatos que reclamam solução. O grande problema é que Autuori parece que não consegue ver um jogo de futebol. Por ser passivo, tira a alma do time.
O Coritiba chega inteiro para essa final. Alargando os limites de um time carente, arrumou um bom sistema de defesa e de marcação, que permite jogar por uma bola, que quando cai com Kleber é o bastante para decidir.
É histórico: em decisão em duas partes entre Atlético e Coritiba, ganha o título quem ganha o primeiro jogo.
A decisão é domingo na Baixada.