Certa vez, há uns 20 anos, Mário Celso Petraglia me disse que “nós não cometemos pecado mortal”.
O doutor que tome cuidado. Se ainda não aprendeu, pode vir a aprender que no futebol, às vezes, por maior que seja a penitência, a redenção torna-se impossível. E, não existe penitência maior do que a passar um campeonato jogando para não ser rebaixado. É possível afirmar, que depois dessa derrota para o Santos (2×0), na Baixada, o Atlético Paranaense já está no mínimo de joelhos, porque essa é a postura de um lanterna.
Na Baixada, não sobrou jogo para analisar. Escrever que o Furacão jogou mal, seria oferecer-lhe amparo. Simplesmente não jogou. De um primeiro tempo melancólico pela sua ingenuidade tática, que o avançou desorganizado e abriu o campo para o Santos marcar os dois gols com Kayke, e depois, um segundo tempo depressivo, por que o que era desorganizado, virou anárquico.
Mais grave: está de joelhos, porque o dono do clube Mário Celso Petraglia, passados mais de 20 anos, ainda não sabe lidar com o futebol. Desta vez, deixou-se levar pelo projeto já póstumo de Paulo Autuori, um verdadeiro predador, que passou um ano, não formou um onze, e não formou um time com sentido de jogo. Reflexo da liberdade que tem, obriga o time terminar com Ederson, Grafite e Gedoz juntos, porque Douglas Coutinho já tinha saído, e Eduardo da Silva não podia mais entrar. Não há time que conseguia sobreviver.
Autuori contraiu uma dívida, e escondendo-se, mandou a fatura que Eduardo Baptista vai acabar pagando. O treinador, por assumir um time pobre de tudo, em desespero, erra. Escalou Douglas Coutinho, queima uma alteração; no intervalo, ao invés de tirar Otávio, que Autuori transformou em peladeiro, tirou Rossetto, o único capaz de jogar, e, ainda jovem, começa a ter o vício de tentar chegar ao gol, inchando o time de atacantes, quando deveria era dar ordem.

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Subindo

É fato e não se pode negar: o Coritiba jogou bem, e dentro do que se propôs foi até superior ao Botafogo no empate a dois gols no Nilton Santos.
Mas no futebol ser melhor, às vezes, não é o fato que resume um resultado. O gol marcado por Henrique Almeida foi de um pênalti em que a dúvida de que não ocorreu é mais forte do que a certeza de ter ocorrido. Rildo, já consciente que a bola havia sido perdida, fez o seu pé direito travar na perna do carioca Carli, originando a sua queda. O lance visto a olho nu, como o do árbitro, foi de pênalti. Visto pelo olho eletrônico foi provocado pelo coxa. Por causa desse lance, é possível afirmar que a arbitragem concorreu para o resultado.
Mas, porque o erro de arbitragem como produtor de resultados enraizou-se no futebol brasileiro, não se pode sonegar o bom jogo que fez os coxas. E, aí, vem o fato mais importante: não obstante o equívoco da arbitragem, o Coritiba saiu fortalecido do jogo do Nilton Santos. É que jogando bem, manteve a regularidade que vai que lhe engordando na tabela, mantendo-o entre os primeiros. De repente, pelo nível que anda o futebol, acostuma-se e fica por lá.
Não é pouca coisa.

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