O fantasma da cláusula contratual, que autoriza Marcelinho Paraíba ir embora em julho, assusta os coxas. Assustaria qualquer time dependente de um único jogador.
Por ser a vontade do jogador alienada aos interesses empresariais, a solução no futebol brasileiro atende-se pelo nome de dinheiro. Eventuais declarações atribuídas a Marcelinho, de que quer ficar porque criou um sentimento com o Coritiba, podem ter o tom de sinceridade. Mas, no futebol, a sinceridade está associada à solução financeira. Não há mais lugar para a versão romântica do beijo no escudo e nas juras de amor para o torcedor.
No último dia de aula do meu curso de Direito, da Federal, perguntei a um professor: “Como se sente o advogado diante do cliente que perdeu a causa”? Ele me respondeu: “Fiz a mesma pergunta a um professor meu, e ele respondeu: única lembrança que fica é o dinheiro, isso se o cliente te paga”. Felizmente, adotei um outro princípio. Mas esse serve bem para o futebol.
E Marcelinho não estaria errado pela lei selvagem, que controla o mercado. Os clubes, e aí não é o Coritiba, mas todos, é que provocam a causa principal, ao se submeterem aos interesses dos empresários.
Pois bem, a solução, se Marcelinho irá embora ou não, terá que ser pelo Coritiba. Ele quer ficar, desde que seja atendido. Então, uma pergunta básica tem que ser respondida pelos dirigentes coxas: o preço que Marcelinho Paraíba vai pedir para ficar será proporcional ao custo-benefício?
A avaliação, para ter a resposta, não é para amador e para qualquer caixa.
Benefício
Se tem um treinador, que nos últimos tempos praticou um ato em benefício do Paraná Clube, foi Zetti. Ao denunciar que a empresa Base queria impor a escalação de seus jogadores, detonou um fato que estava repercutindo como desgraça no futebol do clube.
Agora e por isso, e pelo menos por enquanto, não haverá pressão. Mas a Base terá que explicar a razão de que 50% dos direitos do menino Elvis foram para ela, se a LA Sports havia doado esse percentual ao clube?
Já que resolveu bater na mesa, bem que o presidente Aurival deveria quebrá-la de uma vez.