Culpados

A matéria exclusiva do excelente jornalista Cahuê Miranda, na edição de ontem da Tribuna, enfrenta um tema que parecia esgotado, não tanto pelas discussões, mas pelo tempo: as dúvidas sobre a segurança do Estádio Major Antônio Couto Pereira.

A matéria coincidiu com a investigação da superlotação do estádio, no jogo contra o Marília, verdade firmada que o Coritiba não consegue desmentir, pois são reveladas por números, que ele próprio divulgou. Por isso, e porque a Fonte Nova matou sete torcedores em Salvador, o Ministério Público determinou perícia técnica no ?Couto Pereira?.

Esses são os fatos. Nenhum que surpreenda. E como acontece há 50 anos, irá se concluir tecnicamente que as rachaduras são da aparência natural do envelhecimento.

Mas já que surgiu a dúvida, para o próprio Coritiba será importante essa investigação técnica. É a espécie da dúvida, que não basta o desmentido. Só desaparece com a perícia.

A questão mais importante é a manifesta omissão da sociedade brasileira. Por algum motivo, mas em especial por conveniência de esconder o problema, ou por medo de enfrentá-lo, todos os segmentos se omitiram: a imprensa, pelo medo de denunciar; o poder público, pela conveniência política, e o Ministério Público, por comodismo, por esperar sempre ser provocado. O Pinheirão serviu até para jogo da seleção brasileira, de Eliminatórias, e só recentemente foi lacrado.

Se não fosse a desgraça baiana, haveria o exercício desse dever de fiscalização?

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