Quando trabalhava em rádio, diziam que eu era parcial, apaixonado, e às vezes fanático. Era verdade. Mas era um tempo de um certo romantismo, em que a exposição sincera de sentimento não alcançava o conceito de parcialidade.
Domingo, ouvindo a crônica falada, inclusive da televisão, lembrei-me dos meus tempos de rádio. Os desesperados e inconformados comentários pela derrota do Coritiba, trouxeram-me conforto. Quanto drama se fez, quantas lágrimas rolaram! Parecia que o mundo tinha acabado com a vitória do Atlético. Os tempos mudaram ou acabou a “imprensa atleticana”? A exceção foi a Clube.
O pior é que não se ouve uma aceitação pacífica da excepcional condição que o Atlético está no campeonato. Dizem: o futebol paranaense está na frente.
Ouvindo o que se ouve hoje, naquele tempo eu era o exemplo de imparcialidade. Dante e Tiago são o apanágio da frieza. Vejam só em que estado de profissionalismo está o rádio.
Como diz Remi Tissot, um dos últimos românticos: segue o baile. Ou segue o enterro? É questão de opção.
Mudanças
Para analisar a volta do treinador Paulo Campos ao Paraná é necessário lembrar do motivo que provocou a sua demissão. Os dirigentes demissionários forçaram a sua saída, sob o argumento de que o time jogava atrás. O presidente Miranda era contra a saída de Paulo, mas concordou em solidariedade a Vavá. Ocorre que Kleina foi um fracasso. Com ele o time não jogou nem na frente e nem atrás. Despencou e foi para a lanterna. Não se desmentem números: com Campos, o Paraná estava bem longe do grupo de rebaixamento. Quem o tirou é que é o responsável por essa situação.
A política do Paraná é maldosa. Trabalha-se contra o clube e a favor de uma filosofia pessoal. Quem sai, torce contra.