Crônica imparcial

Uma das funções mais cômodas do jornalismo esportivo é escrever crônicas sobre um jogo que será jogado. Por ser o jogo alienado às mais diversas circunstâncias que são criadas pelos mais diversos motivos durante os 90 minutos, em especial pelo imprevisto, tudo pode ser escrito. O leitor que leia todas as crônicas, inclusive as faladas, que pretendem teorizar sobre Atletiba da Baixada. Sob o pretexto de serem imparciais, jogam com o óbvio, correndo do essencial. O essencial, no caso, seria assumir uma posição que não seja pela dúvida empurrada para as entrelinhas. E depois do jogo, usam-se os privilégios que autorizam a ignorar os seus equívocos para terminar as cronicas usando os equivocos dos outros, de quem joga e de quem comanda.

Um dia desses ouvi alguns colegas falarem na televisão de que “não há favorito, mas o momento do Coritiba é melhor”, na representação viva em ficar na posição “em cima do muro”. No jornalismo aprendi que a imparcilidade honesta está em assumir posições, correndo riscos do erro, porque no jornalismo esportivo o justo pela equidade é um disfarce.

Se escrevo que o Atlético é o favorito para o Atletiba da Baixada, não escrevo por querer que o Furacão ganhe, embora seja minha vontade. Escrevo, porque em teoria, as circunstâncias me autorizam a escrever. Eis as circunstâncias que estão sendo esquecidas: o Atlético foi exigido em uma final com o Fluminense, e depois com o Londrina e com o Paraná, em que a rivalidade influiu no ânimo. O fato de ter perdido a Primeira Liga e depois ter se obrigado a ganhar nos penaltis na Vila, não o diminui em razão das circunstâncias que envolvem o Coritiba, que para ser finalista precisou eliminar Toledo e PSTC, dois times semiamadores, nos cruzamentos eliminatórios do Estadual. Esses elementos precisam integrar qualquer análise e jogar com o elemento principal: o jogo é na Baixada com 30 mil atleticanos.

Que fique claro: escrevo que o Atlético é o favorito, não que vá ganhar. Apostaria num estágio além do favoritismo, se tivesse certeza de que o técnico Paulo Autuori não pensasse demais com os olhos fechados em algum momento do jogo.

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