Não sei se li ou ouvi, mas o presidente Marcos Malucelli falou que um técnico que perde quatro jogos tem que pedir para sair. Usou Geninho como exemplo.
Embora a afirmação seja genérica, serve bem para o caso específico de Waldemar Lemos. Se o Atlético perder em Goiânia, o treinador irá pedir para sair.
O critério de condicionar a continuidade de um treinador aos resultados imediatos, está equivocado. O seu uso coloca o futuro do time em um risco maior, porque a vitória, quando é exceção da regra que é a derrota (é o caso do Atlético), torna-se em perigosa armadilha. O critério correto está na avaliação, se a permanência do treinador estará isenta de risco.
E se o Atlético ganhar do Goiás? Entendo que Lemos deveria sair, independentemente do resultado. Já mostrou que não tem pedigree para comandar o Atlético e, em especial, neste momento em que está exaurido o direito de errar.
Ganha hoje, mas perde domingo, é do futebol, dirão. É normal para quem perdeu pouco, mas não o é para o Atlético, que está sendo rebaixado. Estará se retardando ainda mais a solução.
Não se critica a contratação de Lemos, porque, com raríssimas exceções, qualquer treinador é um jogador de cartas. É uma aposta para o clube. Mas a diretoria estará errada se usar o critério do vencer ou vencer, porque esse cria tensão e insegurança entre os jogadores e torcedores. Um motivo que seria de rotina, e que seria absorvido com uma boa explicação, ganha dimensões extraordinárias.
Presumo que, independentemente do resultado em Goiânia, já há no Atlético uma avaliação definitiva sobre Lemos. Se essa avaliação ainda não foi concluída, ou se ela depende do resultado de hoje, então há muito pouco para se fazer.
Desafios
O Coritiba está na boca da zona de rebaixamento. No entanto, parece que nada de ruim está acontecendo. Os dirigentes, silentes, ouvindo René Simões fazer as suas orações, que, eventualmente, tratam de táticas.
O jogo de hoje, contra o Botafogo, não se encerra apenas na obrigação de vencer. É que, diante de um novo fracasso (e aí o empate está enquadrado), vão se especular muitas coisas: se René deve continuar ou não, a prova final da dependência a Marcelinho Paraíba, aguçando a ânsia financeira dos seus empresários, a necessidade de reforços, e a falta de dinheiro para tê-los.