O professor Felipão reuniu a imprensa para dizer que os jogadores estão em crise de nervos. Indicou o choro compulsivo do capitão Thiago Silva e do goleiro Julio Cesar. Não é preciso ser psicólogo para afirmar que chorar não significa necessariamente descontrole da emoção. Pode ser uma forma de desabafo. Lembre-se de Dunga ao receber o troféu em 1994: xingou aos urros as mães de todos os jornalistas que o indicaram como referência histórica para o fracasso da Copa na Itália (1990), através do título a “Era Dunga”. Cafu, em 2002, desabafou de forma doce e serena, declarando para o mundo que ama Regina.
O choro de Thiago e Julio Cesar, ao contrário de descontrole, é a emoção pura. Está correto Tostão ao afirmar que se esse time não estivesse preparado emocionalmente e se a Copa não fosse no Brasil, já estaria eliminado.
Bem pensado, Felipão ao recorrer a o que denomina crise de nervos, como se os jogadores tivessem o descontrole das mulheres de Pedro Almodóvar, está querendo esconder o essencial, e desviar a atenção para o óbvio: a crise é técnica e tática. Talvez os jogadores chorem porque ganharam consciência de que o time está sem recurso da organização e distribuição em campo. Esse fato aumenta a carga de responsabilidade, porque individualmente o jogador tem que compensar a falta de esquema e não conseguindo, em razão de seus limites naturais, sobrecarrega a emoção.
Prova
Às vezes tem gente que não acha graça no futebol.
Pobre dessa gente. O jogo Alemanha 2×1 Argélia acrescentou mais um milhão de razões para mostrar por que o futebol é cheio de graça. É o único esporte capaz de provocar com a lógica como razão. Ainda, saindo do amadorismo, os argelinos foram tão brilhantes que obrigaram a poderosa Alemanha ir à exaustão física para não ser eliminada. Só o futebol tem essa capacidade de, em um dado momento tornar todos iguais.