Crise da Baixada

O fracasso técnico do Atlético no Brasileiro está escondendo um fato mais grave da vida do clube: as obras da construção da Baixada, que há tempos estão desaceleradas e correm o risco de parar. Em carta assinada por Mário Celso Petraglia, formalmente a CAP S/A, gestora da obra, comunicou a Agência de Fomento do Paraná, do Governo do Estado, que o dinheiro disponibilizado é insuficiente para concluir a obra da Baixada.

A carta deu números oficiais: a obra custa hoje 265 milhões de reais. Da previsão inicial, que era de 188 milhões de reais, há uma diferença a mais de 77 milhões de reais, e que essa diferença terá que ser custeada pelos parceiros Atlético – Governo Estadual e Municipio de Curitiba – na proporção de um terço cada. Quem leu a carta, a interpreta como uma espécie de notificação para a prevenção de direitos que antecede uma ação judicial.

A mensagem informal que foi passada aos governos estadual e municipal é a de que se não for repassado o valor da diferença em curto prazo, a CAP S/A e o Atlético podem exigir judicialmente o cumprimento da obrigação, com o depósito por pedido de tutela cautelar. A sua assessoria jurídica entende que, não obstante a lei limitar o valor da garantia junto ao BNDES, o contrato de parceria é apanhado pela lei civil e pela jurisprudência, que autorizam o equilibrio financeiro de todos os contratos, inclusive com o poder público, o que é uma verdade.

Bem resumido: os parceiros públicos entendem que não podem disponibilizar mais garantias para o Atlético tomar mais dinheiro, porque já há uma lei limitando o valor. E qualquer alteração depende de uma mensagem especifica dos governantes para a Câmara Municipal de Curitiba e para a Assembleia Legislativa. E não há ambiente politico para isso. O Paraná de Richa só não vira uma Detroit, e pede falência, porque invadiu todas as contas, inclusive judiciais, mesmo os depósitos de caráter alimentar. Já a Curitiba de Fruet nem pagar as contas antigas está conseguindo. Vem sobrevivendo em razão do prestigio pessoal do prefeito com os credores.

É indisfarçável o ambiente tenso, quase no estágio de litígio entre os parceiros da construção da Baixada. E desse conflito, hoje, só haveria um perdedor: o Atlético. A situação política no país mudou tanto, que o governante que descartar a sua sede para a Copa do Mundo irá atender aos apelos da rua, cuja motivação central não foi apenas o valor de 20 centavos da passagem de ônibus.

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