Se você for comprar uma lâmina de barbear, qual a primeira imagem que lhe provoca: a do homem do rosto sem barba ou a de Neymar, o craque.
A de Neymar, sem dúvida.
É que nesse momento, não há como dissociar a imagem do craque do produto. A publicidade recente que funde Neymar e lâmina transforma-os em uma única coisa. A associação é tão forte que é possível, que pela manhã ao fazer a barba, você tenha a impressão de que é Neymar esteja rolando pelo seu rosto.
E, então, se você é de se submeter à influência de fatos e circunstâncias para consumir um produto específico, é possível que evite comprar a lâmina da marca divulgada por Neymar.
Pela campanha publicitária, Gilette e Neymar estão sendo criticados. A Gilette por ter, sob o pretexto de humanizar a imagem do jogador, submetê-lo à confissão pública de utilizar o artifício da simulação para ganhar benefícios em campo e Neymar (em especial na figura do seu pai), por aceitar essa submissão em troca de supostos R$ 7 milhões, que no seu universo financeiro tem um significado de 30 moedas.
Os problemas de Neymar são os imputados ao seu pai e à falta de sensibilidade criativa em razão do motivo (confissão de simulador) e pelo momento, da Gilette.
Talvez sejam questões apenas aparentes. Penso que o mais grave problema de Neymar, talvez intransponível, é a falta de carisma enquanto elemento integrante da personalidade. É a “graça”, que segundo os sociólogos, destaca o homem ao natural, sem nenhum artificio, nas suas relações interpessoais.
Tomem Ronaldinho Gaúcho como exemplo. Seu carisma é imenso. São os holandeses da cerveja Heineken que confirmam. Daí a sua escolha para ser o grande astro do filme publicitário da última Liga dos Campeões.
Sem falar uma única palavra, encarando a câmera sem nenhum constrangimento de mostrar a dentadura saliente, é introduzido em um ambiente futurista. Então, ameaçando um chute devastador, aterroriza a barreira de “guerreiros” que pula quando corre para a bola. A bola, com leveza, passa por baixo dos “imortais” e ganha o canto do gol. E, aí, o artista, carregando toda a sua graça, olha o mundo que se submete à sua arte, vira as costas e vai embora, comemorando com o manejo das mãos, expondo apenas o dedão e o mindinho, em homenagem aos surfistas.

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