Coração dividido

Perdi um amigo, perdemos um conhecedor por inteiro de Direito Civil, a classe dos advogados perdeu um grande protetor, e o Coritiba perdeu um coxa extraordinário.

Foi embora o doutor Manoel José Lacerda Carneiro.

Vizinhos na rua Almirante Tamandaré, com ele passei boa parte da minha adolescência. Entre nós só existia uma diferença: Atlético e Coritiba.

E na época era Atletiba de verdade: do lado dele, Jairo, Hermes, Oberdan, Claudio Marques, Hidalgo, e Zé Roberto; e do meu, Picasso, Cláudio Deodato, Alfredo, Sergio Lopes, Buião e Sicupira. Quando os coxas ganharam o título de 1972, era Maneco quem me esperava na porta do armazém do meu pai, para – disse ele – me consolar.

Mas era uma diferença de cores que era absorvida pela amizade. Formado em Direito, tornou-se um grande advogado e professor de Direito Civil. Com notável espírito de liderança, era intransigente com os direitos dos advogados. Conselheiro da OAB, foi presidente do Instituto dos Advogados do Paraná.

Metade do coração era para tudo e para todos, e a outra metade só para o Coritiba.

À família de Maneco, os meus sentimentos.

Derrota

Pegou mal entre os dirigentes a derrota do Coritiba para o Maringá. Não pelos números (3×0), mas pela prova de que os critérios de escolha de jogadores estão equivocados. Já há um consenso de que, para disputar a Segundona, o time precisa de reforços e de qualidade.

A conclusão pode antecipar a solução de um grave problema.

É impossível estruturar um time de jovens de uma única geração. Acabou a época de uma única fornada no futebol brasileiro.

Intrigas

Pelas redes sociais, a torcida do Paraná está cobrando os erros sistemáticos do gerente Rodrigo Pastana. E Pastana, agressivo, rebatendo os torcedores, e ofendendo antigos dirigentes chamando-os de “ladrões”. Entre conselheiros há antigos dirigentes.

O Paraná tem que ganhar do Coritiba. E não é só em razão dos três pontos.

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