Coração baiano

Um dos mandamentos mais importante do juramento do médico está disposto no artigo 11 do seu Código de Ética. Diz ele: “O médico deve manter sigilo quanto às informações confidenciais de que tiver conhecimento no desempenho de suas funções”.

A coordenadoria médica do Atlético deu conhecimento público de que o menino Alan Bahia é portador de uma deficiência cardíaca. “Mas não é grave”, disse seu gestor.

É exatamente aí que a divulgação do fato torna mais grave a própria doença: se não é grave e se Alan Bahia poderá estar de volta em dez dias, qual a razão para tornar o fato público? Não existia motivo: seja sob o aspecto médico, sob o aspecto ético. Nós pobres mortais (alguns médicos se acham deuses, portanto imortais), não temos nem devemos ter noção técnica e científica do conceito do que é grave ou não em medicina. Nosso convencimento vem da relação de confiança com o profissional. Do contrário viramos especuladores de conceitos médicos.

Dirão que Washington teve um problema mais grave e está fazendo gols. A gravidade não está na natureza médica do fato, mas na sua divulgação. Divulgar um fato negativo sobre a saúde de um jogador, por menos grave que seja, traz constrangimento e insegurança. Transfere para o jogador a responsabilidade de provar que é um atleta normal.

Alan Bahia ganha a vida jogando futebol. Um dos pressupostos é a dependência de um coração de resistência induvidosa para jogar. Antes só dependia de ter um coração assim, agora tem que provar que tem um coração assim.

No Atlético é assim. Sem comando, tudo fica ao Deus-dará.

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