Dia sim, dia não, lá está a imagem parecendo congelada pela televisão: o rosto transtornado de fúria, encarando qualquer um com a gana de um pitbull ferido, voz esganiçada de rancor, despejando a frase: ?assassinos, vocês são um bando de assassinos…?. Um dia depois, Mário Celso vai ao vivo na Transamérica, a sua rádio oficial, onde lhe tratam de doutor, cheio de dengo pede desculpas.
?Estou arrependido?, disse Mário, fazendo inveja a Maria Madalena, quando se ajoelhou aos pés da Santa Cruz. ?Ah! Que grandeza de espírito?, respondeu Airton Cordeiro, o mesmo que tinha dito que a diretoria do Atlético ?assaltava o torcedor?, que foi proibido de entrar na Arena e, depois, entre quatro paredes, em um bar de hotel (Raion) na calada da tarde se acertou.
Por aqui na imprensa falada, Mário Celso tem o domínio amplo e quase absoluto. Nela exerce um fascínio irresistível. ?Ah! Como irei criticá-lo. Ele vai me proibir de entrar na Arena, e aí eu perco o meu ganha-pão. Mário, Mário?, exclamam quase todos. Talvez a exceção daqueles que têm um trabalho mais direto com o Atlético, seja Marcelo Ortiz, aluno da velha escola independente e cheio de coragem, que faz da liberdade de imprensa um valor de vida.
Mário Celso pediu desculpas e fez as pazes com o empresário Juan Figger, aquele mesmo que lhe ensinou o caminho das pedras, e com quem tinha brigado no caso Kléberson. ?Figger, meu caro Figger, nossa briga foi culpa dos invejosos e dos meus inimigos. Oferto-lhe o meu abraço eterno. O Atlético está a sua disposição?. Coincidência ou não, logo depois Cocito foi vendido e está chegando um jogador do fantasma Rentistas do Uruguai.
Mário Celso, na histórica entrevista da Transamérica, negou-se a falar de Giovani Gionédis, presidente do Coritiba. Disse: ?Não falo nesse nome. Foi meu amigo. Não é mais meu amigo?.
?É isso doutor!?, ouviu-se no fundo do estúdio. Será que foi Fernando Gomes, que tradicionalmente lhe chama de doutor? Se foi Fernando, está certo porque ninguém guarda Mário como Fernando guarda. Lealdade é lealdade, custe o que custar.
Mário Celso anda dizendo que está arrependido das ofensas que praticou contra Carneiro Neto. ?Ah!, mas Carneiro me traiu?, teria dito nos bastidores da Transamérica. Mas pergunto: o que é ser traidor para Mário Celso? É dizer que ele não conhece futebol e contrata mal? Sei que o inigualável dirigente está à pique de chamar Carneiro e se dizer arrependido. Aí sim o arrependimento terá grandeza.
Nunca Mário Celso me pediu desculpas e nem eu a ele. Disse-me no entanto que os nosso pecados eram pecados simples, passando longe de pecados mortais que nos conduzem ao inferno. Ri e respondi: ?Obrigado, Mário. Mas, qual o seu conceito de pecado mortal??. Ele não me respondeu. Hoje Mário me processa. E eu, um pobre pecador, ainda não aprendi nem nas ?Confissões?, de Santo Agostinho, o que é esse pecado mortal que o grande fazedor atleticano diz não ter.
?Com o Mafuz nunca mais?, também teria dito, no fundo daquele quintal. ?O Mafuz me ofendeu, escreveu que tenho interesse, que eu sou isso e aquilo.? E continuou: ?Com o Mafuz eu resolvo nos processos, embora eu tenha medo de ir nas audiências.
E se não bastasse tudo isso, o Mafuz fala pelos corredores, pelas ruas, pelo Barigüi, que ainda eu pagarei vendo o meu netinho se formando em jornalismo. Isso é querer mesmo a minha desgraça. Meu neto jornalista, não?.