Já há algum tempo, o futebol brasileiro não inova, só copia o europeu. Mais grave: por faltar capacidade de comando administrativo e técnico, copia tão mal que deforma o modelo importado.
Veja só o caso da pré-temporada dos clubes. O seu conceito se encerra como preparação técnica de um time que, individualmente, já está formado. Há, portanto, uma lógica nesse conceito: prepara-se o time que vai jogar a temporada. Na Europa, é o período mais importante da preparação técnica, individual, física e psicológica dos clubes. Mas não é isso que ocorre no futebol brasileiro. Em regra, o time que é preparado na pré é desconstituído durante a temporada.
Entre nós, o Atlético, que já perdeu noção do tempo que passou do seu último título, e que todo o ano promete investir no futebol, é o exemplo do uso impróprio desse período. Hoje viaja para aquilo que define como “pré-temporada”, na Espanha, com esse time base: Weverton; Daniel Borges, Gustavo, Cleberson e Natanael; Deivid, Paulinho Dias e Bady; Edigar Junio, Delatorre e Cléo. Entre os reservas há juniores e jogadores em período de adaptação (testes).
Dando crédito à promessa de disputar títulos, escancara uma incoerência: vai preparar um time que não tem capacidade para ganhar nada. É mais fraco ainda (sem Marcelo, Sueliton e Douglas Coutinho) daquele de 2014, que competiu para evitar o rebaixamento.
Em um grande time, em uma análise, ainda, com reservas, só Weverton, Gustavo, Cleberson e Deivid poderiam ser titulares. Bem resumido: o Furacão vai preparar na Espanha um time que não irá jogar na sequência da temporada; ou, se pretender ir até o seu final, é que não tem nenhum objetivo, a não ser evitar os grandes riscos de perda.
É um luxo se preparar na Espanha.
Mas com esse time, lembra a máxima da calça de veludo.