Cópia original

Primeiro dê um desconto pelo futebol pacífico, ingênuo e sem qualidade dos japoneses. Depois, se ainda achar que é pouco, desconte um tanto mais. Ainda assim, não se pode afastar a imagem que ficou do jogo: o Brasil goleou o Japão por 4 a 1, mas, por bem mais, goleou a intolerância dos critérios de comando.

O Brasil que era obrigado a se amarrar ao esquema conservador, que na marra sobrepunha à natureza do seu futebol, saiu da Copa. Estreou o Brasil em cópia original, absolutamente natural, sem deixar de ser moderno.

E para isso não precisou de milagre, dispensou inovação e não reclamou revolução tática. Bastou sensatez para corrigir os equívocos individuais, com repercussão direta no esquema tático. E precisou de bem pouco: Gilberto Silva à frente da zaga, para entrar Juninho Pernambuco, que avançando, simplesmente fez o Brasil jogar. E veio uma espiral irresistível de virtudes: Ronaldinho Gaúcho voltou a ser o melhor do mundo, e Ronaldo voltou a fazer gols, fato que fez o estágio da alegria alcançar o de comoção.

A vitória foi de 4 a 1, mas poderia ser de seis que não seria gratuita; mas, mesmo assim não teve e não teria o significado maior, presume-se, que teve o convencimento pessoal de Parreira de que quando o Brasil deixa de ser previsível, torna-se avassalador.

O Brasil até pode não ganhar a Copa com esta sua cópia original que apareceu em Dortmund. Mas Parreira não pode perdê-la para sustentar os seus critérios, porque aí será por vaidade e por teimosia.

É compreensível perder quando se tenta fazer o melhor, mas não se compreende perder quando o fazer já está reprovado. Gana é o Japão negro. Por isso um pouco mais forte no físico.

Siga a Tribuna no Google, e acompanhe as últimas notícias do estado do Paraná!
Seguir no Google