Não nego que subitamente fui dominado por um júbilo agudo. Não imaginei que ainda os meus sentimentos pudessem ser estremecidos com uma simples expectativa.
É a demonstração de que o tempo passa, mas os valores remotos são preservados. Zico, o maior ídolo do futebol brasileiro da minha geração, a convite do Atlético, chega hoje a Curitiba. A visita é o bom pretexto para evitar, que a idéia final de tê-lo como técnico seja estimulada, e depois se transforme em uma frustração.
Fiquei em dúvida em já tratar do tema. Nós que somos apegados a esses valores, às vezes somos imprudentes: confundido o ídolo com o profissional, desprezamos o que é mais importante para a solução procurada.
O Atlético estaria recebendo o técnico ou o ídolo?
Embora seja impossível dissociar um do outro, obriga-se a não confundi-los. E mais: obriga-se a estabelecer uma hierarquia em razão do momento delicado que vive: a decisão tem que ser em razão do técnico, sobrepondo o impacto social que um ídolo como Zico traz a qualquer ambiente.
Sem ter condições de analisar Zico como treinador – e poucos por aqui as têm-, procurei referências na palavra de um amigo, que por ele foi dirigido no último ano: Alex, dos “coxas”. Telefono para Istambul, e pergunto sobre a pretensão atleticana. Sem o corporativismo inerente à classe, Alex revela-se surpreso pelo fato, e depois, diz que após deixar de ouvir o ídolo para técnico, ficou orgulhoso.
Fala aí, Alex: “Zico não se protege com o seu passado, embora lhe seja permitido. Torna simples as soluções para enfrentar dificuldades. A sua autoridade como treinador não é imposta pela hierarquia, mas pelo que trabalha e transmite, tendo como consequência os resultados. Mas será que ele pegará essa bomba de vocês?”.
Nada mais foi perguntado. E nada mais deve ser escrito. Vamos esperar.