Modernizar é romper comvelhas convenções. Inventar é tornar verdadeira uma primeira idéia. O moderno já existe, basta adotá-lo; o invento depende de pesquisas, consultas, testes e tempo.

Nunca neguei a Mário Sérgio Pontes de Paiva a condição de grandioso para tratar de futebol. Mas na prática não é isso que acontece. Sob o pretexto de ser moderno, usa um esquema obsoleto, pois inibe as jogadas de ataque.

O Atlético não perdeu para o Flamengo (2×1) só porque Alex Mineiro jogou fora um pênalti. Perdeu, também, porque Mário Sérgio reduziu o seu tempo de jogo para apenas 45 minutos. Jogou todo o primeiro tempo com quatro zagueiros, um volante e com Adriano, Alex e Dagoberto obrigados a recuar. Uma coisa é ter precaução, ganhar a bola com a marcação e depois ir ao ataque em velocidade; a outra que foi adotada é jogar com postura objetivamente defensiva, sem liberar os lados, sem ter um jogador que crie, obrigando um talento como Dagoberto sair de suas características. Contra o Inter já tinha sido assim: um tempo inteiro sem chutar bolas contra o gol adversário.

Bastou o excelente Fernandinho entrar para que o Atlético fizesse um grande jogo. Aí, sim, com a modernidade querida por Mário Sérgio e por todos: ganhando em razão de uma marcação forte, saindo em velocidade. Sem precisar recuar, com Fernandinho criando pelo lado direito, Dagoberto e Alex Mineiro recebendo bolas pelos lados, o Atlético submeteu o Flamengo ao seu domínio.

Mário Sérgio não pode confundir conceitos. Este é não é o momento de criar situações inusitadas. Não há tempo e nem elementos para pesquisas, pois com Fabrício, Rogério Correa, Alessandro, Alan Bahia e Ivan, qualquer tentativa de invento pode causar uma explosão.

Normalidade

O Coritiba fez um acerto com a sorte e foi jogar contra o Paysandu. Levou três bolas na trave e ganhou com um gol de Lima, seu pior jogador em campo.

O trauma da guerra de São Januário lhe causou aborrecimentos táticos e técnicos neste jogo. Assustado, chegou a ser dominado no segundo tempo pelo Paysandu. Mas ganhou um jogo sonolento, em que a narração de TV tornou-o dramático. Parecia nunca ter fim.

Brilho técnico não se exige, é verdade. Mas o mínimo de futebol deve jogar para manter a identidade com a excepcional campanha que realiza.

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