Contrato de risco

No voo para o Rio de Janeiro, aonde vim a trabalho, um torcedor angustiado – único sentimento que os atleticanos carregam – vai me pressionando com perguntas sobre o Furacão. E a inevitável pergunta vem: o técnico Renato Gaúcho não será uma contratação de risco? Respondi que não sei se será Renato, mas que se for será de risco.

Mas avancei com a resposta, dizendo que pelo tempo perdido com um técnico a cada dois meses contratado, e dispensado por falta de lucidez para avaliar – inclusive Geninho, que já está sendo dispensado do Vitória -; pelas 35 contratações de jogadores, no máximo de nível fraco, mas, em especial de nível medíocre por não ter uma comissão técnica; pela absoluta falta de comando do futebol, vício que vem desde 2002; pela crise de autoridade, porque os membros do conselho administrativo querem respeitar a hierarquia de uma presidência sem rumo, que delega poderes demorando a resgatá-los; por isso, qualquer técnico que seja anunciado será uma contratação de risco.

No futebol não há milagre, ensina Valmir Gomes na CBN. Soluções das quais originam o imediatismo são ocasionais. Por esses motivos dissertados, todos provados por fatos, qualquer que seja o próximo treinador haverá risco. Mas aí que vem o fato mais grave: o risco é só do Atlético, porque nenhum treinador, e com razão, virá para ganhar trinta moedas e sem uma multa rescisória. Se for mandado embora antes, receberá pela perda.

O Atlético vai ter que firmar um contrato inusitado no futebol: o risco é todo do clube e não do profissional. Já em terra, o atleticano me faz mais uma pergunta: o Petráglia não está atrapalhando o clube com essa oposição?

Absolutamente não, pois exerce um direito mesmo recarregando todos os dias a “winchester de John Wayne” e descarregando para todos os lados, sem saber o que realmente quer acertar.

Siga a Tribuna no Google, e acompanhe as últimas notícias do estado do Paraná!
Seguir no Google