Em entrevista à TV CAP, ancorada pelo excelente radialista Remy Tissot, Mário Celso Petraglia, o dono do Atlético, reduziu a pó os grandes clubes do Rio e de São Paulo.
Entre outras coisas, falou Petraglia: “O Vasco acabou. Política, econômica, financeira e patrimonialmente. O Botafogo não tem presente, pagando-se pelo passado”. E dentro desse cenário, colocou todos os clubes cariocas.
Avançando, chegou a São Paulo: “O Santos é clube do interior, com todo o respeito pelo grande Pelé. O São Paulo perdeu o trem-bala da Copa do Mundo. Não embarcou e perdeu-se. O Palmeiras parece uma Unimed do Fluminense”.
Para a análise das afirmações de Petraglia é necessário saber em que condição ele falou: como um cartola profissional que está no futebol há 22 anos ou como presidente do Atlético Paranaense?
Se foi como um homem de mercado, só falou verdades: todos os clubes de Rio e São Paulo estão de alguma forma alienados a dívidas (Corinthians), à dependência de terceiros (Palmeiras com a Crefisa), ou a sucateamento (Vasco, Fluminense, São Paulo e Botafogo). Certo Petraglia, a maioria sustenta-se no passado bem remoto.
Se foi como o dono do Atlético há 22 anos, essas razões são absorvidas pelos erros provocados pela sua incapacidade de tratar de um negócio que não conhece, e que se chama futebol.
Se há razão em afirmar a decadência específica dos grandes clubes do Rio e de São Paulo, por que Petraglia não construiu uma base histórica de conquistas no campo para o Furacão? Usando a sua expressão ao tratar do São Paulo, o trem está passando para o Atlético, que é incapaz de competir por títulos a nível nacional. Tem estrutura material, mas não tem capacidade de gerenciamento do seu futebol.
Petraglia, definitivamente, precisa aprender que o primeiro pressuposto para ter história no futebol são as conquistas de campo. Fora delas, tudo vira matéria.