Li linha por linha até o ponto final: a denúncia do Dr. Paulo Schmitt, procurador do Superior Tribunal de Justiça Desportiva, contra o Coritiba é irrepreensível.
Não é uma denúncia em tese, que remete a apuração dos fatos para a instrução, e que daí fica ao livre arbítrio do julgador enquadrá-lo em um determinado artigo. É uma peça jurídica perfeita, porque o que seria tese deixa de sê-lo em razão dos fundamentos e das provas que a instruem. Fosse auditor relator, a adotaria como voto condutor, com um aditamento: a diretoria do Coritiba, também foi responsável.
Explico.
É que além das provas, o presidente Cirino foi absolutamente ingênuo. Em princípio, não admitiu relação entre clube e a organizada. Logo depois, contraditório rompeu. Quem rompe com alguém é porque tinha uma relação anterior. Por seu presidente, o grande clube quis se apresentar de vítima, sem ter nenhum componente de cálculo. A ingenuidade se tornou mentira.
No sábado a polícia lacrou a sede da organizada, depois de encontrar drogas, armas e livros que ensinam métodos de tortura. Onde fica localizada a sede? No Estádio Antônio Couto Pereira, de propriedade do Coritiba. E agora se sabe que a relação ia bem mais do que um ideal.
Prendeu, entre outros um invasor de nome Oswaldo Fernando Dietrich. Quem era ele? Funcionário do departamento de marketing vejam vocês, responsável pela segurança dos eventos no Estádio Couto Pereira.
Com a concorrência material da diretoria do clube, ao dar casa, comida e roupa lavada aos invasores, a tese do crime passional, pela qual o Coritiba teria sido a vítima, não passa de um romantismo de contos policiais.