Confesso: a certa altura das eleições do Atlético, fui dominado por estranho sentimento de querer a vitória de Mário Celso Petraglia. Motivo: para construir um estádio de 300 milhões de reais, gastando apenas 45 milhões, sem comprometer o patrimônio do clube como prometia, só mesmo alguém que comanda pela força e é movido pelo autointeresse.

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Nem pense o leitor que esse autointeresse tenha o significado de ganho material. No caso significa a busca da satisfação do orgulho individual, quase no perigoso estágio da obsessão. Na prática, ambos, agora, são irrelevantes.

É censurável o comportamento de Petraglia. Esconde-se pelo silêncio, foge do debate público, confunde as funções de presidente e proprietário. Deve ter lido Maquiavel.

Hoje, os conselheiros terão que aprovar dois itens: o projeto de viabilização financeira para a construção da Baixada e a disponibilidade para alienação real de todos os bens, inclusive a terra sagrada da Buenos Aires, onde essa paixão sem tamanho começou. Terão, é futuro indicativo. Aqui, é imposição. É ato de força, negativa de direito de pensar para dizer sim ou não. Deve ter lido Médici e Pinochet.

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Petraglia negou aos conselheiros o direito de, antecipadamente, analisar o projeto de viabilização financeira da obra. Negou é pretérito perfeito, passou, pois a reunião é hoje. Deveria, tinha obrigação, mas não antecipou essas informações.

Fossem conselheiros do Atlético os maiores economistas do Brasil – Pérsio Arida, André Lara Resende, Pedro Malan e Edmar Bacha, que criaram o Plano Real – pediriam no mínimo um dia para aprovar ou não esses projetos. Imagine, então, o torcedor movido pela paixão, sem formação econômica e financeira, ter que enfrentar, em uma hora, questões complexas de um financiamento que vai alienar todo o patrimônio do clube, para dizer sim. O inadimplemento provoca perda, e não se pode garantir o que vai ocorrer nos próximos quinze anos. O futuro não está no que vai acontecer, mas no que está acontecendo, disse Thomas Jefferson aos ingleses, antes da Independência dos Estados Unidos.

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Não existe nenhum heroísmo em construir a Arena dando em hipoteca todos os bens do clube. É um heroísmo proposto por si próprio, oportunismo do cargo. Qualquer atleticano, assim, constrói.

Os conselheiros terão que decidir. A história do maior clube do Paraná, irá recepcioná-los como conselheiros ou coveiros?