Os atleticanos já não podem mais usar o verbo sonhar. Os sonhos precisam ser estimulados por um fato real. No futebol, esse fato é um time que seja no mínimo razoável. Nada é razoável nesse atual Furacão.
Contra o Figueirense não basta apenas jogar bem, porque esse estágio já está provado, não é suficiente. É preciso algo mais: colar a virtude dos pequenos, superando-se. Mas, talvez, não bastem jogar bola no limite técnico, que é estreito, e alcançar a superação pelo físico. Os atleticanos não têm outro verbo a conjugar, que não seja o de rezar.
O mais grave é que todos esses recursos para salvar-se da queda precisam ser buscados num ambiente precário. Pela falta de dinheiro, que cria novos credores, que são os jogadores que não recebem regularmente a remuneração há quase três meses. A separação de direito de imagem e salário em carteira, é um arranjo dos clubes inadimplentes. Carência já esperada pelos gastos pródigos e inexplicáveis, cujas consequências, agora, atingem a dignidade da pessoa humana, como dos 20 funcionários, que ontem foram demitidos, com o clube alegando “justa causa”, para não pagar a multa indenizatória de 40%. Pela falta de segurança, pois esses atos arbitrários, com sua forte carga de injustiça e até com uma dose de violência social, criam um ambiente de temor, que reduz a capacidade de trabalho de qualquer um.
Entre um ou outro grito de “Furacão”, a torcida precisa rezar a oração que Senhor nos ensinou.
A pergunta final é: basta jogar no limite técnico, superar-se no físico e rezar?
Não. É preciso concordar com o velho princípio, de que não se ganha um jogo sem chutar a gol.