Atlético e Coritiba continuam levando, cada um à sua maneira, uma vida de conforto. Sem incômodo popular, vão administrando um projeto que na prática é virtual. Bem por isso, os coxas já assumem o objetivo de não serem rebaixados, e o Furacão na zona que ilude, sustentando-se pelo nome, pela retórica e pela estampa do seu treinador Paulo Autuori.
Não estou certo? Passados quinze dias da demissão de Gilson Kleina e de Valdir Barbosa, até hoje o Coritiba não deu uma solução para o comando técnico e gerencial do futebol. Se existe um projeto, é inusitado, por ser tocado por provisórios.
Se o time ganhou mais conteúdo com Pachequinho, se a torcida nele confia, e os jogadores “jogam por ele”, qual a razão de não lhe dar o cargo em definitivo? Tem-se, aqui, o exemplo de administração por omissão.
E o Atlético, a nossa “menina dos olhos”, como se fosse dirigido por George Lucas, vive de efeitos especiais. O último grande evento na Baixada foi o UFC, quando deveria ser um gol de Walter, uma bola enfiada por Otávio ou uma defesa de Weverton. A sua torcida vai lá para expor o seu orgulho que provoca a sua majestosidade, parecendo indiferente para o que ocorre em campo.
Se prestasse atenção iria concluir que no campo, que é o que deveria interessar, o Furacão anda parado no tempo. Continua levando a sua vidinha confortável em um estágio que não provoca emoção: não causa a angústia do Z4, e provoca a ilusão de chegar ao G4. E no final acaba não indo a lugar nenhum.
Mudança
Na contratação de um treinador, para um trabalho de emergência, há um risco muito grande de erro. No futebol, quando é preciso mudar o caminho, esse risco é obrigatório. O que se pode é diminui-lo. E, aí, o Paraná, em tese, acerta ao trazer Marcelo Martelotte para tentar, ainda, voltar à elite do Brasileiro. Martelotte, como treinador, foi criado nos porões do Paulistão e da Segunda divisão nacional, onde para sobreviver não se pode ter vaidade, só espírito de renúncia.
E nessas mudanças, a escolha de Hélcio para dirigir o futebol foi absolutamente correta. O Paraná não poderia correr a aventura do desconhecido, obrigando-se a colocar a direção do futebol nas mãos de quem tem compromisso com a sua origem. Hélcio nasceu, cresceu e foi criado da Vila. Só depois é que saiu para a vida.