Quando não é o Corinthians, é o São Paulo, ou então, em alternativas mais sofisticadas, quando não é o Barcelona, é o Real Madrid. Existem outras, para quase todos os gostos: Milan, Arsenal, Ajax, O desprezo pelo torcedor paranaense é manifesto. A Rede Paranaense de Comunicação, por seu canal de televisão excluiu do seu objeto social, o interesse público para afastar os prejuízos que um contrato com os clubes poderia lhe trazer.

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A RPC, por sua televisão na cobertura do futebol é falha na prestação de serviços. Dirão que existem outras redes e que estas, também não se importaram. As situações não podem ser misturadas. Afiliada da Rede Globo, tem os direitos sobre todas as competições de futebol. O futebol está programado na rede. Ao destacar os campeonatos estaduais de acordo com o interesse de cada estado, quer valorizá-los. Dos grandes centros, só o Paraná não presta esse serviço social, contrariando objeto imediato da lei de concessões, que é a prestação de serviço para atender o interesse público. O interesse comercial nada mais é acessório, embora seja consequência.

Torna-se mais constrangedor para a afiliada global, na medida em que o torcedor é transformado em seu refém: acomoda-se com a titularidade do sinal da Globo no Paraná, tem a audiência e o faturamento garantidos com jogos de outros estados, sabendo que não existe tradição de concorrência. O caso aqui é de prejuízo cultural e financeiro em potencial para o Paraná como estado. A transmissão de dois jogos por semana do campeonato paulista trabalha contra os nossos clubes, que tentam criar a imagem de ?paranaenses? fora de Curitiba.

E nem se diga que os clubes não investem.

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Tomemos o Atlético como exemplo. Adquiriu os direitos sobre Ferreira e Dênis Marques, gastando um milhão de dólares; recusa diariamente propostas para ceder Paulo André, Alan Bahia, Dagoberto, Michel Bastos e Evandro; traz de volta o filho pródigo da torcida Adriano. Contrata Lothar Matthäus, um dos maiores nomes do futebol mundial para ser o seu treinador, consciente do risco de eventual prejuízo financeiro.

E nem se venha dizer que o futebol paranaense está desmoralizado em razão do caso dos bruxos. Os clubes não foram alcançados pelo escândalo, que ficou restrito aos árbitros e aos dirigentes da Federação Paranaense de Futebol. Caixa D?Água, no Rio de Janeiro, está solto por habeas corpus, e nem por isso a Globo deixou de pagar bem os clubes e fazer do campeonato carioca uma atração.

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E não é só isso: São Paulo foi o estado em que ocorreu a manipulação de arbitragens, que repercutiu na maior crise de todos os tempos do futebol brasileiro. Lá estava Edílson Pereira que confessou ter manipulado jogos do campeonato paulista. No entanto, a Globo paga milhões para os clubes paulistas, e faz do campeonato o segundo mais importante do calendário brasileiro.

Bem analisada sob o aspecto jurídico, esta situação não é legal, pois a transmissão dos jogos de São Paulo, cria uma concorrência direta ao nosso campeonato. Ninguém é obrigado a praticar atos que lhe repercutam em prejuízo; mas à ninguém é permitido causar, mesmo que de forma involuntária, prejuízos a outros embora no caso, o próprio objeto social da lei de concessão seja a de prestação de serviço ao povo. Os clubes deveriam proibir a transmissão dos jogos de São Paulo em dias de jogos do Campeonato Paranaense. Há base legal porque os clubes não estão obrigados a criar uma concorrência contra eles próprios. porque repito, a própria Globo prioriza o interesse do povo de cada estado.