Não há nada mais capaz de criar novos conceitos do que o fundo passional que move o futebol. Um dos mais recentes em razão do critério finalístico do sistema mata-mata é o “fazer o resultado”.
Qual o significado dessa expressão e até onde pode ser estendida dentro do razoável? No futebol não há o razoável. A própria razão tem um conteúdo de paixão. Por isso, o conceito da expressão permite divagar e até estendê-la ao estágio que beira a extravagância. Para a arquibancada, “fazer o resultado” é sinônimo de um placar folgado.
“Fazer o resultado” deveria se restringir à vitória simples, pois não deixa de remeter o time vitorioso a uma diferença que lhe dá o privilégio de alternativa do resultado futuro. Mas em razão de que a paixão é mais forte, a vitória simples deixa de ter o significado de vitória absoluta para manter um estado de incerteza no torcedor.
O que deve significar “fazer o resultado” para o Furacão? Simplesmente ganhar sem pensar no jogo do Maracanã, onde estarão 70 mil flamenguistas e uma rede de interesses empurrando o Flamengo, ou correr riscos em busca de um resultado improvável em decisão dessa natureza?
Já fui filiado à paixão e, por isso, não acreditava no pouco. O tempo que mudou o futebol também tratou de me mudar. Um resultado fora do simples, em jogo decisivo, passou a ser a regra. Fora dele, é a exceção. Já não existem mais grandes times. A tradição e a influência de mando já não absorvem fatores que o futebol não permite mais guardar, que é a disciplina, a consciência dos limites, a organização tática.
“Fazer o resultado” para o Atlético, portanto, é fazer o simples: ganhar o jogo. E desde que volte a ser um time sem estrela e estrelismo, atenderá um dos clichês mais importantes do futebol no mata-mata: fará o dever de casa.