Sei que é coisa de ingênuo dar uma busca em exemplos passados, sonhando com um futebol cheio de ideal. Ingênuo ou sonhador, ingênuo e sonhador, existem coisas que são difícieis entender, ou talvez, sejam fáceis de compreender.
Ouvi e li Aristizábal dizer que deve obrigações ao presidente Giovani Gionédis, que nele acreditou. Aristizábal agradece Giovani por um único motivo: o presidente que honra compromissos sejam assinados ou não, não permite que o Coritiba deixe de pagar o colombiano, mesmo que o benefício que receba seja inexistente.
Não quero tratar da relação dirigente e jogador, mas o desprezo que os jogadores tratam o clube. E aí não só Aristizábal. E aí o desprezado não é só o Coritiba.
Mas no exemplo que ilustra o tema, Aristizábal deveria agradecer ao Coritiba que é quem que ao mesmo tempo trata de suas dores que não são poucas, e paga-lhe a remuneração contratada, que é extraordinariamente razoável.
Agora mesmo o Atlético viveu o último capítulo com final feliz, da novela Adriano. Mas no antepenúltimo e no penúltimo, o que se ouvia de Adriano era que precisava falar com o seu empresário, com o seu procurador, com fulano e beltrano. E o Atlético? Quem é o Atlético, deve ter pensado, se não por querer, mas por sugestão. Pois o Atlético que lhe deu vida e alma, era apenas um coadjuvante, mero acessório. No entanto, quem lhe pagou durante o período de problemas com a vida, foi o Atlético.
Mas quem está certo, afinal?
Nós ingênuos torcedores ou os jogadores adaptados às regras do mercado?
Treinamento
Diego, do Atlético, não é um grande goleiro, já escrevi. É igual a tantos outros que estão por aí, incompleto. Não é melhor que o seu reserva Cléber.
Mas o histórico Flávio tinha lá seus desencantos quando ganhou o lugar de Ricardo Pinto. Mas tendo consciência dos seus limites, tratou de ampliá-los. Tornou-se um goleiro tão fantástico, que entrou na história do clube como o maior ganhador de títulos.
O problema de Diego não são os defeitos, mas não ter consciência de que os tenha e quais são. Por baixo tem coragem e noção de espaço. Por isso faz defesas extraordinárias. Fez duas contra o Flamengo. Mas quando a bola vem cruzada por cima, é um ai Jesus. Falta-lhe decisão, parecendo perder a personalidade que mostra ter em outras situações.
Embora jovem, Diego não é mais criança. Já está passando do tempo. Talvez esteja sendo injusto, porque talvez Diego tenha essa consciência. Por isso termino com uma pergunta: quem é que treina Diego?