Por não merecer ser lembrada por provocar desgosto, a seleção de Parreira já estava sendo esquecida. Mas a Itália provocou outra vez estas funestas lembranças. E foi além: criou uma ponta de inveja.

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Há muito não se via um time tão equilibrado no exercício das funções. Talvez o Brasil de 1970, a Alemanha de 1974, mas nunca a Itália nas suas conquistas, e nunca mais o Brasil e a Alemanha nas suas vitórias seguintes.

O futebol visto sob uma ordem de alternância de ações em decorrência do revezamento de posições, ganhou o exemplo mais notável da história. Os italianos foram além dos limites, e na prorrogação à perfeição. E era um fato inesperado, porque à exceção de Buffon, Canavarro, Grosso, Totti e Del Piero, é time individual comum. Mas foi soberbo por atender o princípio mais relevante no futebol: o da responsabilidade coletiva.

As lágrimas alemãs nem poderiam ser sentidas, porque antes de caírem já estavam absorvidas pela comoção que os italianos provocaram em quem gosta de futebol. E nem se diga que foi uma vitória ocasional. É que quando, em regra, na prorrogação o técnico procura se proteger com a casualidade dos pênaltis, o treinador Marcelo Lippi fez diferente: trocando um volante pegador por Del Piero. Fez a Itália atacar nos últimos dez minutos com três atacantes (Piero, Totti e Gilardino).

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As soluções para um jogo de futebol se afastaram do casuísmo. Os brasileiros e argentinos acreditaram nos jogadores de exceção e fracassaram. A Alemanha quis centrar as suas esperanças na superação, foi excluída. É prova de que as soluções que têm a capacidade de deixar um time mais perto da vitória, é ocupar espaço, mas atacando.

A Itália já merecia vencer a Alemanha durante o tempo normal. Mas seria uma vitória comum como tantas nesta e nas copas passadas.

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A vitória nem sempre tem que ter como resultado a conquista. Às vezes tem que atender um outro fim, que se torna ainda mais importante. Ao atacar de forma consciente, organizada e em direção ao gol, no momento em que todos se defendem, a Itália devolveu o futebol como arte.

O gol de Del Piero comoveu.

É comovente ver o belo produzido pelo artista no seu último suspiro.