Estando em São Paulo, e próximo ao Pacaembu, fui ver o Corinthians ganhar do Internacional, pela final da Copa do Brasil, 2 a 0. O jogo em si, apesar de provocante pela disposição ofensiva dos dois times, foi um jogo normal de decisão. O Corinthians não ganhou porque é melhor que o Inter. Ganhou porque tem Ronaldo, mesmo que passe minutos e minutos sem ser notado.

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O que Ronaldo mostrou foi que não é mais um craque. É que para ser craque, precisa antes ter as virtudes de um jogador comum, o corpo atlético, a condição física como exigência indispensável do futebol atual, a busca e a continuidade no jogo. Ronaldo não faz mais nada disso.

Agora Ronaldo é um gênio. Nesse estágio, precisa apenas de uma bola, de um pedaço de grama e de alguns segundos para decidir um jogo. Talvez, o título.

Já tinha visto o Fenômeno jogar na Arena, naquela vitória do Atlético, 3 a 2. Vê-lo jogar no Pacaembu, diante da torcida do Corinthians, parece que alcançamos um outro mundo. O silêncio, quando a bola vai em sua direção, é quebrado por sussurros no mesmo tom. Qualquer toque, mesmo que com a jogada tentada morta pelo zagueiro, arranca a emoção do peito.

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O gol que Ronaldo fez, visto pela televisão, embora espetacular, não deixa de ser uma imagem fria. Visto no Pacaembu, inclusive por quem não é corintiano, e está ali só porque gosta de futebol, é comovente. E se for sensível demais para emoções, pode até pensar que em Ronaldo está a representação viva um enviado divino, um predestinado.

Lembrança

Muitos tricolores me censuram sobre o desprezo ao Paraná em meus artigos. Pois eles têm razão, embora a palavra não seja desprezo, porque minha formação cristã não autoriza ter próximo de mim esse sentimento.

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Diria que esquecia, propositadamente, por respeito. Só escrever de quem briga contra os seus fantasmas há dois anos, é um meio de desprezar.

Hoje o Paraná volta a jogar, e contra o Figueirense, em Florianópolis. Precisa voltar a ganhar. Não só irá provocar esperanças, como voltará a ser assunto.