Os fatos parecem que são produzidos e ambientados em Hollywood. Como se fosse inspirado em Quem vai ficar Mary?, encenou-se ?Quem vai ficar com Aloísio??. Agora, entra em cartaz outra: ?Será que Matthaus volta??.
Saindo do ambiente de comédia, dando a seriedade que o fato reclama, é de se censurar a absoluta falta de transparência dada ao caso. De um lado, um clube em absoluto silêncio, aproveitando-se da fragilidade do outro, que é uma imprensa sem nenhum poder de investigação, vivendo da especulação.
Tratemos dos dois lados.
O silêncio do Atlético se confunde com a falta de transparência na relação com Matthäus. Dizem que o treinador viajou para resolver problemas pessoais. Problemas financeiros não foram, porque dinheiro para quem tem é solução e não problema.
Se foram problemas de relacionamento pessoal, não justificaria tamanha transigência, na medida em que os mortais são obrigados a resolver dentro de uma pauta de vida. O trabalho profissional sempre sobrepôs a urgência pessoal. Se foi cláusula de contrato, houve imprudência de quem contratou, pois previa-se pelo calendário que haveria decisão, e irresponsabilidade de Matthäus em deixar o comando no momento de decisão.
O próprio treinador poderia priorizar o seu trabalho profissional.
Vamos para o outro lado, o da imprensa.
Não conseguiu, ainda, responder três perguntas, todas de natureza acadêmica e primárias: qual foi o motivo tão urgente que embarcou Matthäus para a Europa? Será que Matthäus volta? Quando é que Matthäus volta?
Os repórteres dizem que não têm mais acesso ao CT do Caju. O argumento é barato, porque bom repórter que se preza não resume a sua fonte à fonte oficial. Aliás, repórter que se preza tem como última fonte aquela tida como oficial, pois essa divulga fatos de conveniência. Além do mais, ficar em silêncio é um direito que tem o clube. Esse é o grande mal da imprensa esportiva curitibana: é submissa ao noticiário da fonte oficial. Noticia o que vê, não procura ouvir fatos diferentes, e às vezes por algum motivo não noticia o que ouve. O pouco crédito que a mídia esportiva tem com a torcida, na pesquisa do site E-Atlético.com: a maioria concorda com a limitação do seu trabalho no CT do Caju.