Não são raras as vezes que eu quero, e por isso sou transigente com as minhas opiniões. Mas, por mais que alongue o espírito de renúncia, não consigo entender Mário Celso Petraglia, que está dono do Atlético.
Vejam só o caso do lateral-esquerdo Sidcley.
Desde que foi transformado em meia, o Atlético não conseguiu um lateral-esquerdo. Nem no mercado e nem na base. É possível afirmar que para o sistema tático adotado como regra geral no Brasil, são poucos os laterais como Sidcley.
Mais grave que a má avaliação técnica, foi o fato fora de campo. Sidcley é agenciado por Bruno Paiva, aquele que em nota pública tratou Mário Celso Petraglia como um dirigente superado. Então, o dono do Atlético resolveu se vingar, mandando afastar Sidcley dos dois times usados nesse início de temporada.
E praticando excessos de arbítrio contra os interesses do Atlético, praticou um ato no mínimo cômico: para punir Sidcley e desprezar seu agente, aceitou a opinião do treinador Fernando Diniz, e negociou o lateral com o Corinthians. O controle da emoção como um dos elementos mais importantes para fazer negócios é a antiga e conhecida lição do americano Daniel Goleman, na sua obra máxima “Inteligência Emocional”.
Por pura emoção, por estar brigado com o agente de Sidcley, Petraglia foi cômico: querendo desprezar o agente, mandou Sidcley para o campeão brasileiro, que carrega uma média de 40 mil torcedores por jogo no ano. E Sidcley foi ganhando bem mais, e o empresário ainda ganhou uma comissão.
Mas, as consequências originam-se da parte séria do negócio: mandando embora Sidcley, o Furacão terá que continuar escalando Thiago Carleto, que já está na mira da torcida em razão da sua mediocridade técnica.
A outra consequência é a base da troca: o meia Camacho, outro afilhado de Diniz dos tempos de Audax, estava afastado das atividades regulares do Corinthians, sendo oferta de mercado.
Se tudo isso tivesse passado em Siracusa, e os personagens fossem a história poderia ser tratada como uma versão curitibana da “A Comédia dos Erros”, de William Shakespeare.
Mas passou no CT do Caju e foi escrita, produzida e encenada por Petraglia.