Coisas da alma

Um fato ignorado, sem perdão: era na Baixada, e o Atlético iria jogar o seu jogo mais importante nesse início de Brasileirão. Uma vitória, possível no campo da ilusão gerada pelas propostas futuristas do seu treinador, poderia empurrá-lo até para a liderança. E o adversário não era pouca coisa: o milionário Palmeiras, a quarta maior torcida do Brasil. Estavam, então presente, todos os elementos possíveis para elevar ao máximo o apelo popular.

Público final: 21 mil torcedores. Pagantes, próximo de 19 mil. De palmeirenses, 4 mil. Isso quer dizer, que apenas 15 mil atleticanos foram ver o jogo. Com a torcida Os Fanáticos afogada no andar de cima, bem longe do campo, a Baixada passou mais um dia sem vida.

Afinal, a cada fracasso de público, vai perdendo o sentido de construir um estádio com teto retrátil, com 42 mil lugares confortáveis, ao custo de hipoteca e penhora de todo o patrimônio pelo gasto de 400 milhões de reais, quando em um domingo de sol, o jogo de maior apelo técnico e popular em 2018, provoca apenas a paixão de 15 mil torcedores.

Vieram me contar que, bem por isso, Petraglia anda triste e amargurado com a torcida do Atlético, que teria lhe virado as costas, ignorando o seu fazer de 22 anos.

O Flamengo é Flamengo, identidade de povo no Brasil, todos sabem. Mas evitava o Maracanã em razão do preço que precisava cobrar da sua torcida. Para lotá-lo domingo, precisou tornar o futebol, outra vez, coisa do povo. Baixando o valor do ingresso, sem a censura da biometria, atraiu 61 mil torcedores, com o valor acessível do ingresso.

Há um segredo para afastar a tristeza e a amargura: compreender as coisas da alma. E no futebol, também, as coisas do bolso.

Esperança

É estranho esse otimismo do treinador Micale. Chegou de Chapecó feliz com o primeiro ponto do Paraná ganho no Brasileiro. E afirma que “a primeira vitória está próxima”. Só não quis prever o tempo dessa proximidade.

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