O doutor Vilson Ribeiro de Andrade, enquanto presidente do Coritiba, teve um pecado tornado público: os jogadores do clube já vão para o terceiro mês sem receber a verba alimentar. Antes, Vilson tinha uma defesa: o que estava atrasado era a verba do direito imagem. Transformou tudo em salário e agora não paga nem uma coisa e nem outra. E, ainda, manda um funcionário dizer que não é verdade que o atraso é de três meses, mas de dois, como se existisse uma ordem legal ou moral para atrasar dois meses.

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O atraso de salário se tornou um componente da cultura que deforma o futebol brasileiro. Todos os clubes, alguns mais e outros menos, devem aos seus jogadores.

No entanto o caso do Coritiba é diferente: é que o doutor Vilson usa a imagem de bom moço que prega o respeito aos direitos laborais dos jogadores levantando a bandeira do fair play financeiro, ao mesmo tempo o seu clube não paga aos seus jogadores.

A administração profissional implementada no Coritiba para ser referência nacional, escancara-se como um tremendo fracasso. Formada, em sua maioria, por aposentados do liquidado Bamerindus, foram chamados para um clube de amigos, sob o pretexto da profissionalização administrativa. Não quero dizer, que o Coritiba será um “novo Bamerindus”, como não posso afirmar que o Atlético possa vir a se tornar uma versão esportiva da INEPAR por causa de Petraglia. É que ontem os credores da Baixada revelaram preocupação da CAP S/A entrar com um pedido de recuperação judicial.

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Mas, às vezes coincidências são tão inevitáveis que provocam comparações. Nem na época do amadorismo puro era tão flagrante uma administração que se tornou pródiga, afastando da responsabilidade mesmo que seja sem querer.