No supermercado, sou parado por um torcedor do Coritiba, que tira do bolso um recorte da Tribuna e nele uma coluna em que exaltei Vilson Ribeiro de Andrade como “um novo modelo de dirigente no futebol brasileiro”. Confesso que fiquei sem reação. Não é confortável para um jornalista ser cobrado sem ter argumento para reagir. Resolvi escrever sobre minha decepção.
O doutor Vilson Ribeiro de Andrade quis ser mais advogado do que presidente do Coritiba. Bem por isso, imprimiu uma interpretação de conveniência, de quem não quer pagar o que deve, para o seu clube negar o crédito de alguns jogadores a titulo de direito de imagem. Resultado: obrigou o Coritiba a ser constrangido com um fato público de que não paga essa remuneração a Deivid há 11 meses. E se não bastasse, teve que se render a uma carta dos jogadores, que seria aberta, censurando-lhe.
Em se tratando do doutor Vilson o caso se torna mais grave. Sem os vícios de cartola, surgiu como uma esperança de dirigente para o futebol brasileiro. Mas, com o tempo, está se tornando um dirigente comum, que é o de pensar que sabendo de tudo pode ser arbitrário.
Eu conheço bem o presidente Vilson. É sério, não é de não cumprir contratos. O que fez foi querer remendar o erro de inchar o clube com salários, que qualquer um sabia que não poderiam ser suportados em contratos longos. Só que o remendo proposto não só tem a fama popular de calote, como onera ainda mais o clube, pois implica na rescisão do contrato e no pagamento do crédito do atleta até o seu final.
Os dirigentes (e aí já se inclui Vilson) precisam aprender que o Direito não é ingênuo como os jogadores. Vilson parece que pegou todos os defeitos de Petraglia e desprezou suas virtudes.
Obrigação
O Atlético que jogaria o Estadual apenas para cumprir obrigação legal, agora precisa cumprir uma obrigação moral. No jogo do Janguito, hoje à tarde, precisa ganhar para, ainda, evitar ir para o torneio que irá rebaixar dois times. Não se interessar pelo título do Estadual é uma coisa, que embora seja um desprezo à tradição clube pode ser absorvida por outras preferências, como a Libertadores. Mas chegar ao ponto que chegou é outra coisa: desprezível, humilhante e irresponsável.