Certa vez, provocado para indicar o Atlético de todos os tempos, escalei Nilson Borges na ponta-esquerda. Naquele dia, passando pelo Bamerindus da Boca Maldita (hoje Livrarias Curitiba), fui chamado por um senhor, que me perguntou: você sabe quem foi Cireno, e o que jogou Cireno? Respondi que sabia que fora o ponteiro do Furacão, mas por não ter sido da minha geração não saberia dizer se foi melhor que Nilson Borges.
O senhor, sempre apoiando o corpo na parede do banco, se apresentou: eu sou Cireno! Pergunte o que eu jogava? E daí, quase todos os dias, a simpatia daquele senhor, e a curiosidade de ouvir suas histórias, me empurravam ao seu encontro.
As suas histórias, em especial contra os Coxas, me comoviam tanto que certo dia pensei que se fosse possível escolher queria viver na época de Caju, Jackson e Cireno. Pelo menos teria vivido na época de quem se transforma em lenda. A harmonia entre Jackson e Cireno no ataque era tão profunda que ao se escalar o Furacão, chegando no ataque, parece que há um único homem, com nome composto: Jackson-Cireno.
Com a sua obra completa como homem, jogador e atleticano, ontem o querido Cireno morreu. Pena que não o encontrei mais, para lhe dizer que, às vezes, a história que se ouve é mais forte que a história que se vê. E que, por isso, já estava me convencendo de que ele foi o maior ponta esquerda do Atlético de todos os tempos.