Lembremos.
Cansada de ver o time perder na Baixada e não fazer gols, porque, entre outros motivos, não chutava, a torcida do Atlético escreveu em uma faixa: “CHUTE”. A palavra, ilustrada com flechas indicava a meta do Flamengo.
Nem um poeta seria tão sensível. O caráter irônico, por estar carregado com uma verdade, atingiu o alvo: os jogadores sentiram. Eis a resposta (brilhante, aliás) do zagueiro Tiago Heleno: “Sobre a faixa eu particularmente não gostei. É brincadeira para quem está de fora e quem gosta. Eu que estou lá dentro me senti incomodado”.
A resposta do grande zagueiro lembra uma antiga lição, destacada do pensamento de Émile-auguste Chartier, que os franceses gostam de usar em situação como essa: “Todos os homens são sensíveis enquanto espectadores. Mas todos os homens se tornam insensíveis quando atuam.”
Logo, à noitinha (19h30), o Furacão joga contra o Santa Cruz, pela Copa do Brasil.
A faixa, agora, é desnecessária. Insistir torna-se um excesso. Exibi-la, uma provocação. O recado foi dado e recebido. A consciência e o orgulho do jogadores já foram provocados.
Grafite vai chutar. Pablo vai chutar.
Resta uma dúvida: gol do Atlético?
É que não basta só chutar.
No Horto
No Paraná, também, existem sonhos.
Por que não jogar sonhando em não perder, em Belo Horizonte, para o Galo, e seguir em frente na Copa do Brasil? Não se pode ter como referência a derrota em Caxias. As circunstâncias eram outras, porque era de um campeonato, em que a derrota pode ser absorvida.
Hoje é pela Copa do Brasil, em que o empate resolve, e um gol marcado atrapalha o adversário. E o time terá Renatinho no meio e Léo no gol. Não é pouca coisa, em especial no gol, porque aos 41 anos, a reserva impede Marcos de mostrar as suas virtudes quando tem sequência.
De repente, o Paraná descobre, que na Vila, existem mais do que sonhos.
Coincidência
Leitores me contam da indignação da CBF marcar o Atletiba para sábado, às 16h, quando Real Madrid e Juventus estarão decidindo a Liga dos Campeões. A CBF marca de acordo com o interesse da televisão. Resta saber se a coincidência foi por interesse de programação ou por outro interesse. Se foi pelo último, está no preço de lutar por um direito.